Dispossesions in the Americas

Dispossesions in the Americas

  • Lar
  • Explorar
  • Autores
  • Sobre
  • Arte
  • Corpos
  • Currículos
  • Patrimônio Cultural
  • Mapas
  • Territórios
Voltar à seção Explorar

Lendo em Inglês

Narrativa 1885 - 2018

Trajectories of Belonging and Memories of the Sayhueque People: Memory as Anchor in the Construction of Belonging

  • Nahuelquir, Fabiana

Publicado: 2024

Available at the following link: <https://pueblosoriginarios.com/biografias/sayhueque.html>

Available at the following link: https://pueblosoriginarios.com/biografias/sayhueque.html

Lendo em Espanhol

Narrativa 1885 - 2018

Trayectorias de pertenencias y memorias de la Gente de Sayhueque: Acerca de cómo opera la memoria en la construcción de pertenencia

  • Nahuelquir, Fabiana

Publicado: 2024

Disponible: <https://pueblosoriginarios.com/biografias/sayhueque.html>

Disponible: https://pueblosoriginarios.com/biografias/sayhueque.html

Narrativa 1885 - 2018

Trajetórias de pertencimentos e memórias da Gente de Sayhueque: a respeito de como opera a memória na construção de pertencimento

  • Nahuelquir, Fabiana

Publicado: 2024

Disponível: <https://pueblosoriginarios.com/biografias/sayhueque.html>

Disponível: https://pueblosoriginarios.com/biografias/sayhueque.html

Resumo

Esta investigação lança questionamentos sobre a construção de pertencimentos a partir de operações com a memória coletiva. Em seus objetivos, busca o reconhecimento, reconstrução e explicação de trajetórias históricas heterogêneas de conformação de coletivos que, até pouco tempo, eram impensáveis, tanto na narrativa da História e da Antropologia, como no senso comum social (Trouillot 1995). O percurso histórico iniciou quando o Estado-nação argentino deu por concluída a mal chamada Campanha do Deserto — com o cativeiro do cacique Valentín Sayhueque e sua gente —, passando pela posterior fixação de indígenas em terras reservadas pelo Estado, até as sucessivas expropriações dessas terras por parte do Estado e de iniciativas privadas. Esta constitui apenas uma trajetória possível para articular a história do coletivo. No entanto, esta investigação reconstrói processos heterogêneos de articulação que derivam em processos de comunalização a partir de memórias (Brow 1990). Retomam-se os apontamentos de Stuart Hall (2010a) em torno da vinculação entre teoria, o político e seu duplo compromisso. Essas trajetórias indígenas estimulam e promovem a busca de caminhos teóricos para dar conta de sua condição histórica a partir da perspectiva de seus protagonistas e suas disputas com outros sentidos hegemônicos.

1. A Gente de Sayhueque

As famílias da Gente de Sayhueque, residentes na província de Chubut, em Puelmapu1, foram realocadas a partir do ano de 1895 ao interior da Colônia Pastoril José de San Martín. Seu movimento foi parte da política de tribalização do indígena que o governo argentino implementou depois de finalizada a denominada Campanha do Deserto, que dirigiu Julio Argentino Roca (Delrio 2005). Anteriormente, o coletivo possuía autoridade reconhecida em um território mais extenso, cujas dinâmicas de organização adquiriram legitimidade através de alianças e solidariedades forjadas por relações políticas, econômicas e de parentesco entre distintos caciques e capitanejos. As comunidades enfrentaram as tropas do Estado argentino para evitar a submissão após o avanço militar, embora tenha resultado em sua submissão e no início de longas peregrinações. As famílias foram levadas a pé até campos de concentração em Carmen de Patagones, Chichinales ou Valcheta (Delrio 2005, Mases 2002, Ramos 2010). Ali foram distribuídas como mão de obra, foram incorporadas ao mesmo exército em Mendoza, Buenos Aires, Tucumán ou Entre Ríos, ou feitas prisioneiras na Ilha Martín García (Papazián e Nagy 2010). Desencadeados os processos de fixação (Delrio 2004, Delrio e Briones 2002), sua história foi em seguida o reflexo dos objetivos do Estado de fragmentar essas famílias e incorporá-las a degradantes sistemas de trabalho. Alguns caciques, como Dom Valentín Sayhueque, foram realocados com um reduzido grupo de sua família em 30.000 hectares de terras, que perderam por enganos sucessivos e sistemáticos até se verem obrigados a migrar aos povoados. Nesse contexto, parte da família que havia conseguido permanecer em suas terras foi despejada pela Gendarmeria Nacional em 1944 (Bandieri 2005). Foram deixados debaixo de um penhasco e passaram anos vivendo em acampamentos precários no povoado de Gobernador Costa. São eles quem atualmente constituem a “comunidade Mapuche Tewelche Valentín Sayhueque”.2

II. As memórias e pertencimentos da Gente de Sayhueque3

A criação de um sentido de pertencimento na memória social dos indígenas da Patagônia argentina se vê influenciada por estruturas de dominação particulares, em que suas memórias interagem com a história oficial para formar um mapa de sentido. A relação entre a história e a memória de grupos subalternos como os Mapuche-Tewelche na Patagônia é crucial para as formações sociais da nação argentina. Essa conexão influencia sua visibilidade, silenciamento e valor atribuído na sociedade. Assim, a história e a memória são fundamentais na construção da identidade de tais grupos.

As memórias da comunidade Mapuche-Tewelche Valentín Sayhueque geram diferentes mapas de significação que desafiam formas de teorizar a diferença indígena. A interseção de representações hegemônicas e subalternas na elaboração de sentidos de pertencimento coloca a necessidade de examinar múltiplas determinações em uma análise concreta de formações políticas, sociais, econômicas e culturais, e outros aspectos que diferenciam a produção de memória de outros processos de produção de sentidos. A partir das memórias coletivas, podemos reconstruir como se articulam historicamente subjetividades concretas diante de interpelações desde as posições de sujeitos.

Stuart Hall aponta as correlações entre as experiências de vida, sua significação e a linguagem utilizada para comunicá-las (2010a). Em relação às memórias da comunidade Valentín Sayhueque, evita-se compartilhar correlações explícitas — humilhantes e dolorosas — entre gerações, além de se enfrentar dificuldades ao traduzir suas experiências a uma cultura hegemônica. Desse modo, as memórias entrelaçam imagens e conhecimentos, enquanto desconectam outros. Em momentos de reflexão, as famílias costumam entrelaçar seu passado e presente para entender quem são. Esse processo contribui para a construção do pertencimento ao proporcionar “moradas estratégicas” (Grossberg 1992). Da mesma forma, trata-se de um trabalho de configuração histórica própria. Nesse sentido, a reflexão a partir das memórias é política, já que analisar sua história lhes permite questionar sua realidade e modificar seu futuro.

Propomos vincular essas reflexões com as experiências de trabalho de campo durante o retorno da comunidade Valentín Sayhueque ao seu território expropriado. Em uma conversa com a prefeita de Gobernador Costa, registramos um diálogo com a lonko4 da comunidade:

[…] P — Sim, eu os vi um dia antes de vocês virem, então pensei: como estarão se arranjando?

L — Claro, se por acaso ele não tivesse vindo com a promotora, teria vindo e nos tirado, viu? Mas o filho também, o filho estava mal.

P — O que é seu, é seu.

L — E isso historicamente me pertence. Viu o que é a história argentina? Bom, isso historicamente me pertence. Este lugar é meu, eu falei, e não seria só isso, mas tudo aquilo, a Laguna del Toro. De lá nos tiraram e nos deixaram nesta reserva. E aqui estou e aqui vou ficar, eu falei, eu e meus primos.

P — Claro, porque isso é algo que nunca deveriam ter…

L — Deixado?

P — Deixado.

L — Mas não deixamos porque quisemos, mas porque minha mãe ficou viúva, e nós, todos pequenos; o mesmo aconteceu com a tia. A tia ficou sozinha, e você não vê que os meninos foram trabalhar e ela, coitada, chegou um momento em que teve que ir embora. E eu falei: E quem te vendeu? Me venderam… como é… X disse. Eu falei: E onde estão os papéis de compra e venda? Ele se calou. Se calou porque não tem compra e venda. […].5

Nessa conversa sobressai a relação entre a produção de subjetividade coletiva a partir dos relatos sobre a expropriação de terras às famílias. A lonko utiliza a história e a memória para argumentar e avaliar práticas de apropriação de terras em sua comunidade.

Nessa troca, as famílias são julgadas “por abandonar” suas terras. No entanto, a lonko retifica que foram induzidas, não houve escolha, e demonstra como múltiplos poderes operaram na trajetória das pessoas. Ela questiona a história oficial que nega a preexistência dos indígenas, com documentos que demonstram o contrário; reclama outras terras expropriadas e invoca a doação original de um compadre ao seu avô. Assim, expõe a injustiça sofrida por sua comunidade e avalia o papel de distintos atores em sua história.

A lonko compartilha relatos que formam a memória coletiva e constituem a subjetividade coletiva. Essas memórias estão contextualizadas na disputa territorial, de modo que essas experiências permitiram compreender a estrutura social e reverter os efeitos negativos nas famílias. Repassar sua história lhes permite interpretar o passado de maneira diferente, ressignificá-lo.

Na forma como uma comunidade opera com suas vivências coletivas, também transmite competências para entendê-las e refletir sobre elas, o que incide na definição de sua identidade em diferentes contextos históricos (Beliner 2005). Essa memória se organiza em torno de experiências de desapropriações e deslocamentos que podem unir-se com as de outras famílias na região, sem subsumir as diferenças entre elas. Podem-se identificar singularidades na diferença ao comparar trajetórias históricas de comunidades.

A produção de diferenças locais na memória se relaciona com a articulação de regimes de metamemória que cada grupo cria historicamente. Isso influencia como recordam, esquecem e refletem sobre esse processo. A memória coletiva cria seus próprios regimes para gerar verdade e orientar futuras gerações no processo de recordar/esquecer de maneira significativa para o grupo (Foucault 1980).

Na comunidade Valentín Sayhueque, certos eventos se representam sem necessidade de palavras explícitas, o que pode ser uma forma de expressar emoções ou evitar dores. Essas representações conformam uma orientação interna que organiza a verdade local. A metamemória conecta tais representações com formações hegemônicas, criando uma dinâmica complexa na operação de sentidos em cada caso.

A memória social é relevante na experiência das relações grupais, disputando sentidos de pertencimento aos sentidos hegemônicos e rearticulando constantemente a identidade grupal (Restrepo 2013). A memória intervém ao desafiar o poder dominante e gerar conhecimentos alternativos, incluindo a conexão com o passado e a transmissão de representações coletivas.

A reconstrução dos regimes de metamemória dos grupos indígenas permite compreender como se funda e refunda o sujeito indígena (Foucault 1980). Analisam-se os discursos que a memória de um grupo avalia como verdadeiros ou falsos, assim como os modos de obter a verdade e quem a determina. Esses discursos são conhecidos como “histórias verdadeiras” por nossos interlocutores.

A memória e as representações geram novos conhecimentos e sujeitos. A relação das pessoas com esses domínios é analisada sob uma perspectiva pessoal e coletiva, especialmente entre os jovens da comunidade. A reflexão dos jovens sobre a história coletiva evidencia-se como chave na metamemória local.

Ao observar as práticas anteriores, é importante contextualizá-las e compreender a densa significação do que se diz e se faz, assim como as interpretações das pessoas de tudo aquilo. Aqui é necessário seguir as proposições de Hall (2010b) para não fazer com que a teoria suponha ou explique os processos sociais de antemão.

A memória compartilhada na comunidade indígena Valentín Sayhueque desempenha um papel significativo na forma como alguns membros ressignificam seus papéis sociais e perspectivas, segundo Nikolas Rose (2003). Compartilhar memórias do passado coletivo pode levar as pessoas a rearticular suas identidades e assumir outras formas de entender o mundo.

É relevante comentar sobre as proposições de Hall (2010c) em relação à hipótese de trabalho. Reconstruir os regimes de metamemória das comunidades permite teorizar a partir de perspectivas indígenas e explorar a relação entre teoria e política. As proposições teóricas devem ser vistas como ferramentas de compreensão que não desvincule as práticas sociais de seu significado. As buscas etnográficas são experiências de reconstrução de conhecimento sempre posicionado, com um valor para as famílias com as quais compartilhamos.

Não se busca estabelecer verdades absolutas sobre as memórias, mas utilizar as proposições de Stuart Hall (2010a) para analisar o problema de pesquisa de maneira ética e política. Isso permite aos pesquisadores entender a dinâmica social e os desafios nas Ciências Sociais, reconhecendo que os fatores sociais operam de formas diversas segundo as condições específicas. Essa abordagem implica um trabalho contínuo e nunca acabado, em constante retroalimentação segundo os contextos das pessoas com as quais se interage.

Da observação participante entende-se que a memória é crucial para experimentar relações grupais, disputar o pertencimento e produzir conhecimentos alternativos. A memória social converte-se em uma ferramenta para desafiar posições dominantes e gerar entendimentos sobre os vínculos com o grupo, o território, o estado nacional e os ancestrais. Através da transmissão de chaves de legibilidade do passado, aprende-se a (re)interpretar representações coletivas (Haverkamp 1996).

Ao observar os processos sociais na comunidade indígena Valentín Sayhueque, compreende-se como a interação com a memória pode deslocar o movimento e as relações sujeição-subjetivação de seus integrantes (Rose 2003).

III. Referência Bibliográfica

Banderi, Susana. 2005. Historia de la Patagonia. Buenos Aires: Editorial Sudamericana.

Beliner, David. 2005. An “impossible” transmission: Youth religious in Guinea- Conakry.

American Ethnologist, Vol. 32, N° 4, 576-592.

Briones, C. y Delrio W. 2002 “Patria sí, Colonias también. Estrategias diferenciales de ra-

dicación de indígenas en Pampa y Patagonia (1885-1900)”. En: Teruel A., Lacarrieu, M.

y Jerez, O. (Comps.): Fronteras, ciudades y estados. Córdoba: Alción Editora, 45-78.

Brown, James. 1990. Notes on Community, Hegemony, and Uses of the Past. Anthropological Quarterly 63 (1): 1-6

Delrio, Walter. 2004. “Espacio e Identidad: la expropiación de la tribu Nahuelpan”. En:

Dávilo, B. et.al. (Coords.) Territorio, memoria y relato en la construcción de identidades

colectivas. Rosario: Universidad Nacional de Rosario Editora, 138-148.

Delrio, Walter. 2005. Memorias de expropiación. Sometimiento e incorporación indígena

en la Patagonia (1872-1973). Buenos Aires: Editorial de la Universidad Nacional de

Quilmes.

Foucault, Michel. 1980. Microfísica del poder. Ediciones de La piqueta. España.

Grossberg, Lawrence. 1992. “Power and Daily Life”. En We gotta get out of this place.

popular conservatism and postmodern culture. New York: Routledge, 89-111.

Hall, Stuart. 2010a. “Significación, representación, ideología: Althusser y los debates

postestructuralistas” En: Eduardo Restrepo, Catherine Walsh y Víctor Vich (eds.) Sin

garantías: Trayectorias y problemáticas en Estudios Culturales. Colombia:

Envión Editores, 193-221-

Hall, Stuart. 2010b. “El trabajo de la representación”. En: Eduardo Restrepo, Catherine

Walsh y Víctor Vich (eds.) Sin garantías: Trayectorias y problemáticas en Estudios

Culturales. Colombia: Envión Editores, 447-483

Hall Stuart.2010c. “La cuestión de la identidad cultural” En: Eduardo Restrepo, Catherine

Walsh y Víctor Vich (eds.) Sin garantías: Trayectorias y problemáticas en Estudios

Culturales. Colombia: Envión Editores, 363-405

Haverkamp, Anselm. 1996. Notes on the “Dialectical Image” (How Deconstructive Is It?).

En**:** Diacritics, Vol. 22, No. 3/4: 69-80.

Mases, Enrique. H. 2002. Estado y cuestión indígena. El destino final de los indios

*sometidos en el sur del territorio (*1878- 1910). Buenos Aires: Prometeo libros

/Entrepasados.

Nahuelquir, Fabiana. 2014. Comunidad Mapuche-Tewelche “Valentín Sayhueque”: Refle-

xiones en torno a los procesos de memoria y olvidos. En: Restrepo, Eduardo (Coord.).

Stuart Hall desde el Sur: Legados y apropiaciones, Ciudad Autónoma de Bs. As.: Envión

Clacso Editorial, 203-217.

Papazian, Alexis y Nagy Mariano. 2010. “La Isla Martín García como campo de

concentración de indígenas hacia fines del siglo XIX”. En Bayer, O. (Coord.) Historia de

la Crueldad argentina. Roca y el genocidio de los pueblos originarios. Buenos Aires: Ed.

El Tugurio, 77-96.

Parra y LLanquinao. 2017. Mapun Kimün. Relaciones mapunches entre persona, tiempo y

espacio. Stgo. De Chile: Ocholibros editores

Ramos, A. 2010. Los pliegues del linaje. Memorias y políticas mapuches-tehuelches en

contextos de desplazamiento. Buenos Aires, Eudeba. 

Restrepo, Eduardo. 2013. Clase 3. Articulación y Contextualismo radical. En: Seminario

Stuart Hall y los Estudios Culturales en América Latina y el Caribe. Red de Estudios y

Políticas Culturales (CLACSO-OEI).

Rose, Nikolas. 2003. “Identidad, genealogía, historia”. En Stuart Hall y Paul Du Gay (comps.) Cuestiones de identidad cultural. Buenos Aires: Amorrortu, 214-250.

Trouillot, Michel-Rolph. 1995. The Three Faces of Sans Souci. Silencing the Past. Power

and the Production of History. Beacon Press.


  1. m uma explicação do geral ao particular, especifica-se a que se refere o termo. Os territórios locais se localizam dentro de um espaço maior: o Wall mapu, que corresponde ao espaço ocupado historicamente pelo povo Mapuche. Este se encontra dentro de um nível particular do mundo, naq mapu destinado à vida humana e de outros seres. (…) Os ancestrais, por sua parte, habitam outros níveis. (…). A união de todos esses espaços se denomina Wallontu Mapu. Nessa espacialidade e territorialidade (…) se reconhecem direções, que definem territórios em nível macro (…). Um deles é o Puel Mapu (Terra do Oriente, ou Terra do Leste). Parra e Llanquinao, Mapun Kimün. Relações mapuches entre pessoa, tempo e espaço. (Santiago do Chile: Ocho libros editores, 2017), 106 ↩︎

  2. Aqui se emprega “comunidade” porque é o modo de designação dos coletivos indígenas por parte do Estado, que os reconhece burocraticamente atribuindo-lhes um número de identificação em um registro, após a realização de vários trâmites. Para as famílias da província de Chubut esse trâmite é duplo, porque esta exige outros procedimentos para ficarem registradas em seus próprios cadastros. Além disso, o termo também é de uso entre as famílias indígenas que decidem articular-se coletivamente para visibilizar a demanda de algum direito, independentemente de terem ou não iniciado os mencionados mecanismos de controle estatal. É relevante esse esclarecimento para negar interpretações que assumam que por “comunidade” aludimos a alguma entidade coerente, discreta, perene no tempo e demais atributos que possam delimitá-los fora da trajetória histórica das próprias famílias indígenas. ↩︎

  3. Pode-se obter uma versão expandida e publicadas desses questionamentos em: Eduardo Restrepo (coord.), Stuart Hall desde el Sur: Legados y apropiaciones (Buenos Aires: Envión-Clacso Editorial, 2014), 203-217. ↩︎

  4. Em tradução literal, significa “cabeça”. No contexto do texto refere-se a autoridade ancestral, representante de uma lof, comunidade. […] Suas funções são diversas, e vão desde o administrativo até o ritual […]". Parra e Llanquinao, Mapun Kimün, 154. ↩︎

  5. Delia*, lonko* da Comunidade Valentín Sayhueque, Gobernador Costa, Chubut. Argentina. 2011. ↩︎

Citação

Nahuelquir, Fabiana. 2024. 'Trajetórias de pertencimentos e memórias da Gente de Sayhueque: a respeito de como opera a memória na construção de pertencimento'. Despossessões nas Américas. https://dia.upenn.edu/pt/content/NahuelquirF001/

Itens Relacionados

Cette Carte de Californie et du Nouveau Mexique

Cette Carte de Californie et du Nouveau Mexique

Mapa 1705
CARTE DU THÉÂTRE DE LA GUERRE ENTRE LE BRÉSIL, LA CONFÉDÉRATION ARGENTINE, LA RÉPUBLIQUE DE L'URUGUAY & LE PARAGUAY

CARTE DU THÉÂTRE DE LA GUERRE ENTRE LE BRÉSIL, LA CONFÉDÉRATION ARGENTINE, LA RÉPUBLIQUE DE L'URUGUAY & LE PARAGUAY

Mapa 1864 - 1865
PUEBLO GUARIJIO

PUEBLO GUARIJIO

Mapa 2020
FAMILIAS LINGUÍSTICAS Y LENGUAS INDÍGENAS. OCTAVA REGION: PENINSULA DE LA GUAJIRA

FAMILIAS LINGUÍSTICAS Y LENGUAS INDÍGENAS. OCTAVA REGION: PENINSULA DE LA GUAJIRA

Mapa 1989
SOUTH AMERICA SHEET I. ECUADOR;GRANADA;VENEZUELA;AND PARTS OF BRAZIL AND GUAYANA

SOUTH AMERICA SHEET I. ECUADOR;GRANADA;VENEZUELA;AND PARTS OF BRAZIL AND GUAYANA

Mapa 1842
No Title

No Title

Mapa 1590
El área cultural de los huaorani

El área cultural de los huaorani

Mapa 1997
The Bay of Honduras

The Bay of Honduras

Mapa 1775

Despossessões nas Américas

Um projeto de

University of Pennsylvania

Copyright 2024

Com o apoio de

Mellon Foundation

Projeto e desenvolvimento do site

Element 84

Créditos da arte

Disponível: https://pueblosoriginarios.com/biografias/sayhueque.html

Páginas do site

  • Lar
  • Explorar
  • Autores
  • Sobre
  • Arte
  • Corpos
  • Currículos
  • Patrimônio Cultural
  • Mapas
  • Territórios