Dispossesions in the Americas

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Lendo em Inglês

Narrativa

Studying Indigenous Peoples’ Politics: Recommendations for Non-Indigenous Researchers

  • Falleti, Tulia G.

Publicado: 2024

Chemamull on the Pacific Coast, Tirúa Sur, Lafkenche region, Chile. Photo: Tulia Falleti.

Chemamull on the Pacific Coast, Tirúa Sur, Lafkenche region, Chile. Photo: Tulia Falleti.

Lendo em Espanhol

Narrativa

Estudio de la política de los pueblos Indígenas: recomendaciones para investigadores no Indígenas

  • Falleti, Tulia G.

Publicado: 2024

Chemamull en la costa del Pacífico, Tirúa Sur, región Lafkenche, Chile. Foto: Tulia Falleti.

Chemamull en la costa del Pacífico, Tirúa Sur, región Lafkenche, Chile. Foto: Tulia Falleti.

Narrativa

Estudando a Política dos Povos Indígenas: Recomendações para Pesquisadores Não Indígenas

  • Falleti, Tulia G.

Publicado: 2024

Chemamull na Costa do Pacífico, Tirúa Sur, região Lafkenche, Chile. Foto: Tulia Falleti.

Chemamull na Costa do Pacífico, Tirúa Sur, região Lafkenche, Chile. Foto: Tulia Falleti.

Resumo

Este capítulo foi escrito para estudantes ou cientistas sociais não indígenas e não antropólogos que desejam estudar a política dos povos indígenas ou outros aspectos das culturas e nações indígenas. Analiso o que considero serem as principais tarefas e atitudes exigidas do pesquisador não indígena antes e durante a pesquisa e a divulgação dos resultados, para que sua pesquisa seja, ao menos em parte, interculturalmente sensível. O ensaio argumenta que o respeito, a reciprocidade e uma ambição descolonizadora são três princípios que devem orientar nossa pesquisa. Baseio-me em exemplos das minhas próprias experiências de pesquisa. Ao destacar a importância de estudar a política indígena em todos os seus aspectos, o ensaio também aborda a questão de se os acadêmicos não indígenas devem estudar a política dos povos indígenas e até que ponto suas pesquisas são confiáveis. Embora as recomendações aqui contidas devam ser aplicadas a pesquisadores não indígenas que adotem qualquer abordagem metodológica, elas serão particularmente relevantes para aqueles que realizam pesquisas qualitativas e interagem com povos indígenas.

Originalmente publicado como:

Falleti, Tulia G. 2024. “Studying Indigenous Peoples’ Politics: Recommendations for Non-Indigenous Researchers” in Cyr, Jennifer e Sara Wallace Goodman, Editoras, Doing Good Qualitative Research, Oxford University Press, Capítulo 24, pp. 275-285.

Visão geral

Escrevo este capítulo para o estudante ou cientista social não indígena e não antropólogo que esteja considerando embarcar em uma pesquisa com (ou talvez até mesmo para) comunidades indígenas.1 Em particular, escrevo este ensaio para estudantes e colegas de ciência política que não são indígenas e que estão considerando pesquisar a política dos povos indígenas, ou seja, a política dos direitos coletivos indígenas e a formulação de reivindicações coletivas indígenas em relação ao Estado.2 A política dos direitos e reivindicações indígenas está mudando o panorama jurídico internacional e a ordem global,3 a organização territorial de estados-nação,4 os sistemas educacionais e os idiomas do estado,5 os tipos e a prática da democracia,6 bem como a economia política da extração de recursos naturais7 e de transições energéticas,8 só para mencionar alguns tópicos que são de interesse para cientistas políticos. A política dos povos indígenas deveria ser de suma importância na ciência política, mas até recentemente permaneceu amplamente negligenciada em nossa disciplina.

De 1990 a 2020, apenas dez artigos de pesquisa contendo a palavra “Indigenous” ou “Native” (aplicada a povos indígenas) em seu título ou resumo foram publicados nas três principais revistas generalistas de ciência política (seis artigos na American Political Science Review, um na American Journal of Political Science e três na Journal of Politics). Ao expandir a pesquisa para incluir a World Politics, uma importante revista de política comparada, é possível encontrar mais cinco artigos neste período de trinta anos. Kennan Ferguson denunciou veementemente essa exclusão disciplinar e propôs dezesseis mudanças metodológicas, cognitivas e organizacionais para indigenizar nossa área.9 Houve exceções notáveis, particularmente no estudo comparativo da política indígena na América Latina.10 De fato, essa produção acadêmica estabeleceu importantes agendas de pesquisa sobre as quais podemos construir nossas pesquisas futuras.

À medida que as identidades coletivas adquirem maior relevância na definição de direitos legais e demandas políticas, cientistas políticos e sociólogos têm se voltado cada vez mais para o estudo das nações indígenas e suas políticas.11 As ferramentas de pesquisa qualitativa que utilizamos para estudar a política indígena são as mesmas usadas para estudar outras populações, como: entrevistas aprofundadas, questionários abertos, grupos focais, trabalho de campo etnográfico, acompanhamento de informantes-chave, observação participante, entre outras.12 No entanto, como pesquisadores não indígenas, devemos nos perguntar: como podemos fazer isso de uma forma não extrativista e interculturalmente sensível? Além disso, por que pesquisadores não indígenas estudariam a política dos povos indígenas em vez dos próprios acadêmicos indígenas?

Os antropólogos, especialmente os antropólogos e arqueólogos culturais e linguísticos, têm uma longa tradição de estudo dos povos e culturas indígenas. Seus métodos e abordagens têm sido alvo de debates e críticas referentes a práticas sexistas, racistas e coloniais, como a extração de conhecimento e patrimônio cultural e o silenciamento ou invisibilização de colaboradoras ou coautoras indígenas.13 Os antropólogos têm procurado abordar e reparar esses legados coloniais e tendências extrativistas com profunda reflexão e trabalho transformador.14 Esses debates são muito amplos para serem discutidos aqui, e antropólogos e arqueólogos estão em melhor posição para analisá-los. No entanto, os imperativos éticos para cientistas sociais não indígenas de trabalhar com comunidades indígenas de forma culturalmente sensível e não extrativista exigem uma discussão cuidadosa, separada de outras considerações que possamos ter ao trabalhar com outras populações vulneráveis ​​e marginalizadas.

Neste ensaio, argumentarei que, como pesquisadores não indígenas que conduzem pesquisas com comunidades indígenas ou sobre temas indígenas, nossas pesquisas e ações devem ser guiadas pelos princípios do respeito, da reciprocidade e de uma ambição descolonizadora.15 Essas atitudes e práticas devem ser desenvolvidas tanto nas etapas preparatórias quanto nas de pesquisa e divulgação.

Etapa Preparatória

Mais do que no estudo de outras populações, a pesquisa com comunidades indígenas exige uma grande quantidade de preparação. As comunidades indígenas constituem nações dentro de nações, mesmo que não sejam reconhecidas como tal pelas potências coloniais ou pelos Estados-nação republicanos. As nações indígenas são construídas sobre tradições ancestrais, práticas e histórias orais. Eles têm suas próprias línguas, sejam elas faladas atualmente ou não. Além disso, as comunidades indígenas possuem sua própria ontologia e epistemologias, mesmo que em alguns casos hibridizadas com religiões, ontologias e epistemologias coloniais. Assim, é necessário muito aprendizado e preparação antes de conduzir pesquisas qualitativas com comunidades indígenas, sobre sua história e presente. Esta pesquisa pode ser desenvolvida em paralelo à preparação de uma solicitação ao Comitê de Ética em Pesquisa da sua universidade, que supervisiona a condução ética da pesquisa, pelo menos de acordo com a definição da administração universitária e em consonância com os padrões atuais da comunidade científica.

Mas, ao contrário das histórias dos países, por exemplo, que são facilmente acessíveis, os relatos acadêmicos sobre a história e a vida política das nações indígenas, que se basearam principalmente na tradição oral em vez de registros escritos, são escassos ou inexistentes. Além disso, os povos indígenas foram alvo de assimilação, eliminação ou genocídio, primeiro pelas potências coloniais e, posteriormente, pelos Estados-nação. Fora da Antropologia, dos Estudos Nativo-Americanos e Indígenas e de algumas subáreas da História, as nações indígenas têm permanecido em grande parte invisíveis no meio acadêmico. Ademais, não só o registro acadêmico existente sobre a história de muitas nações indígenas é escasso, como, até recentemente, ele foi escrito por e a partir da perspectiva do colonizador ou daqueles que buscavam desapropriar e dominar os povos indígenas. Felizmente, à medida que o número de acadêmicos indígenas cresce, também cresce sua produção acadêmica sobre suas histórias, culturas e sociedades, bem como suas críticas ao colonialismo e ao racismo.16

Assim, as duas tarefas preparatórias iniciais para o cientista social não indígena são: primeiro, aprender a história dos povos indígenas que farão parte de sua pesquisa; e segundo, encontrar os voceros indígenas, as vozes indígenas relevantes e suas próprias narrativas. Existem nações indígenas, como os navajo ou os mapuche, por exemplo, que têm seus próprios membros na academia e no jornalismo, escrevendo sobre sua história e presente. Esses são os autores e trabalhos acadêmicos que devemos conhecer antes de nos aprofundarmos em nossa pesquisa de campo. No caso das Primeiras Nações no Canadá ou dos povos nativos nos Estados Unidos, a autoprodução indígena de conhecimento é extensa e membros dessas nações encontraram espaço institucional em universidades americanas e canadenses — mesmo que sua representação na academia ainda seja muito baixa. Em outros casos, precisamos investigar muito mais a fundo para aprender sobre as histórias e narrativas relevantes dos povos indígenas com os quais estamos interagindo. Essa foi, por exemplo, minha experiência ao pesquisar com o povo wichí na província de Salta, no norte da Argentina. O registro escrito é escasso. Estou realizando diversas visitas à região, conversando com os moradores locais e tendo acesso à produção e distribuição de conhecimento, que são bastante localizadas, para reunir parte da história e do contexto relevantes para a pesquisa. Embora não exclusivamente, encontrei algumas informações relevantes em relatórios fac-símile, livros publicados localmente e dados coletados na região. Encontrei alguns desses documentos na igreja da cidade, no hospital e em clínicas de saúde próximas.17 Vale ressaltar também que, como ocorre com praticamente qualquer grupo coletivo, os povos e comunidades indígenas não falam com uma só voz. Em algumas ocasiões, isso pode acontecer, mas, frequentemente, o pesquisador precisa buscar, reconhecer e familiarizar-se com as múltiplas vozes, pontos de vista e interpretações que narram a história e as lutas atuais das nações indígenas.

Em terceiro lugar, assim como os cientistas políticos ou sociólogos comparativos devem aprender os idiomas das regiões do mundo ou dos países onde pretendem realizar pesquisas, os pesquisadores qualitativos não indígenas também devem aprender os idiomas das nações indígenas com as quais trabalham, especialmente quando o idioma colonial não é amplamente falado. Não há substituto para a compreensão profunda de culturas estrangeiras que a familiaridade com seu idioma pode proporcionar. O mesmo se aplica às culturas indígenas. Em minha pesquisa, constatei uma diferença substancial e significativa no grau de sucesso da pesquisa e da comunicação quando conduzidas em espanhol com as comunidades mapuche em comparação com as comunidades wichí. Enquanto o espanhol é amplamente falado em Wallmapu (o território ancestral tradicional do povo mapuche, no sul do que hoje são a Argentina e o Chile), ele é uma língua secundária e, muitas vezes, raramente falada entre as famílias wichí no norte da Argentina. Embora a comunicação em espanhol com líderes e membros da comunidade Mapuche fosse possível e eficaz, tanto na Argentina quanto no Chile, a comunicação em espanhol com mulheres wichí era muito limitada. Ao se comunicarem por meio de um intérprete wichí, as mulheres wichí se mostraram mais falantes e dispostas a compartilhar informações e experiências. Mas depender exclusivamente da mediação do intérprete wichí em nossa comunicação foi um grande obstáculo para compreender plenamente o significado e entender profundamente o que as mulheres wichí estavam transmitindo. Por vezes, por exemplo, longos discursos em wichí proferidos pelas mulheres entrevistadas eram relatados para mim como uma única frase em espanhol. No entanto, os materiais educativos e as oportunidades para aprender a língua wichí são escassos, e reconheço que esta é uma tarefa pendente para mim. Idealmente, nos tornaríamos fluentes no idioma indígena necessário para trocas significativas. Se, por razões de acesso a materiais educacionais ou de tempo, tal objetivo for inatingível, devemos estar cientes e explicitar as limitações de nossa pesquisa.

Em quarto lugar, as nações indígenas não só possuem línguas diferentes, como também ontologias, visões de mundo ou concepções sobre o mundo físico e espiritual e suas múltiplas conexões. As ontologias indígenas, transmitidas oralmente através das gerações, frequentemente incluem crenças religiosas e espirituais, que também são estranhas ao pesquisador não indígena. Na minha experiência, compreender e respeitar as ontologias indígenas tem sido o processo de aprendizagem mais desafiador que encontrei desde que comecei a estudar a política dos povos indígenas. As ontologias indígenas frequentemente apresentam uma espiritualidade que não consigo compreender ou compartilhar completamente. No entanto, devo respeitá-la. Durante a fase preparatória de nossa pesquisa, devemos, portanto, procurar, na medida em que estiver disponível ou acessível a nós, compreender a ontologia dos povos indígenas com os quais iremos interagir. Ao mesmo tempo, é importante compreender que os povos indígenas foram impactados pelo encontro e pela experiência colonial. As ontologias indígenas podem ser permeadas por novas religiões (em particular o evangelismo) e culturas coloniais. Em minha experiência, tenho tido que negociar entre minha ontologia e compreensão do mundo e a das comunidades ou indivíduos indígenas que me proporcionam vislumbres de sua filosofia ou interpretações dos mundos humano, não humano e natural. Após vários anos interagindo com líderes indígenas e membros da comunidade, consigo compreender melhor os limites e as conexões parciais entre a minha ontologia e a deles. Quando surgem lacunas significativas entre a minha ontologia (mesmo que em evolução) e a deles, eu me esforço para respeitar e evitar um juízo de valor. A interculturalidade, na minha opinião, está enraizada nesse respeito pelo que é diferente e, em grande medida, incomensurável, incomparável e não análogo ao que nos é familiar. Em outras palavras, tive que aprender a reconhecer que existem certas crenças, filosofias ou ontologias que não compreenderei completamente, mas que devo respeitar.18

Aprender a história indígena, ler seus autores, aprender sua língua e vivenciar o processo de compreensão de sua ontologia são as bases para uma relação respeitosa com nossos parceiros, colaboradores e líderes e membros da comunidade indígena com quem buscamos interagir. Essas interações devem ser baseadas na escolha das comunidades indígenas de participar em projetos de pesquisa e de compartilhar seus conhecimentos com os pesquisadores.

Etapas de Pesquisa de Campo e Divulgação

Durante a experiência de trabalho de campo, além do respeito, a reciprocidade deve guiar nosso comportamento e nossas interações. A reciprocidade exige o reconhecimento do nosso poder e privilégio estruturais, sempre que existirem, e a adoção de estratégias para minimizar essa disparidade de poder.19 Entre outras atitudes e disposições, isso requer humildade, a capacidade de ouvir e observar (mesmo durante longos silêncios em conversas) e uma sincera disposição para aprender — ou desaprender. Em nossas conversas ou entrevistas com indígenas, estamos lá para aprender. Lembro-me de uma entrevista com uma machi (líder espiritual) mapuche no Chile em que ela inverteu os papéis e nossa conversa começou com trinta minutos de perguntas sobre mim, minha pesquisa, seu significado e propósito. Em poucas ocasiões me senti tão profundamente examinada como no início daquela entrevista. Quando a machi ficou satisfeita com minhas respostas, ela concordou em me conceder a entrevista e responder às minhas perguntas. O que se seguiu foi uma conversa incrível, na qual aprendi muito mais do que jamais poderia ensinar aos meus alunos.

Mas a reciprocidade é mais do que a capacidade de observar, ouvir e aprender. Também implica retribuir à comunidade ou às pessoas que nos abrem as portas e nos oferecem, de forma altruísta, seu conhecimento e tempo. Existem maneiras fáceis e concretas de fazer isso. Por exemplo, quando convidei líderes indígenas para palestrar na minha universidade ou nos meus cursos, paguei-lhes honorários, tal como faria com acadêmicos e convidados ilustres. Reconheço que o conhecimento tradicional e ancestral — independentemente da educação formal ou de diplomas — é pelo menos tão valioso para minha comunidade de aprendizagem quanto o conhecimento reconhecido por diplomas universitários e publicações acadêmicas.

Medidas como essa fazem parte do trabalho que acredito ser necessário para começar a descolonizar o meio acadêmico.20 Mas podemos fazer muito mais, é claro. Muitos pesquisadores são guiados pelo princípio de que nenhuma pesquisa sobre comunidades indígenas deve ser conduzida sem sua participação ativa e coautoria. As comunidades indígenas dizem: “Nada sobre nós, sem nós”. Estou empenhada em tornar isso uma realidade na pesquisa que realizo, identificando colaboradores indígenas e tornando-os coautores no processo de pesquisa e na divulgação dos materiais. Isso pode implicar explorar outras formas de disseminação de informações além dos artigos de revistas ou livros escritos aos quais estamos acostumados. Os documentários em vídeo são uma ferramenta para a divulgação do conhecimento e das experiências indígenas e os líderes e comunidades indígenas podem usar esses documentários em vídeo para seus próprios fins. As crescentes unidades digitais de humanidades em nossas universidades poderiam se tornar pólos de disseminação de descobertas ou materiais coescritos com comunidades indígenas. Inclusive, existe uma nova plataforma, Mukurtu,21 criada em parceria com comunidades indígenas para gerenciar e compartilhar seu patrimônio cultural digital.

Por fim, a política indígena não acontece em um vácuo. Estudar a política indígena também implica compreender plenamente as inúmeras maneiras pelas quais o colonialismo, o racismo e o Estado-nação definiram e moldaram o que são as identidades, os direitos, as reivindicações e a política indígena. Até hoje, legislações nacionais e categorias censitárias moldam e definem as identidades indígenas. Legislações nacionais e subnacionais definem os direitos dos povos e nações indígenas. O colonialismo, o racismo e a desapropriação de territórios, corpos e patrimônio cultural afetaram e moldaram profundamente essas comunidades indígenas. Ao mesmo tempo, as comunidades indígenas resistiram e continuam a resistir. Nos âmbitos internacional, nacional e local, os direitos e as reivindicações dos povos indígenas estão progredindo. Seja o direito à uma educação intercultural, uma saúde intercultural, um Estado plurinacional, ao seu território ancestral ou ao consentimento livre, prévio e informado, as comunidades indígenas estão apresentando múltiplas alternativas ao colonialismo e ao poder colonial. Como pesquisadores não indígenas das ciências sociais, nossa estratégia de reciprocidade mais justa deveria ser amplificar esses futuros alternativos e trabalhar para reparar alguns dos danos históricos e geracionais infligidos aos povos indígenas.

Por que um cientista social não indígena deveria estudar política indígena?

Como pesquisadores não indígenas, devemos estar extremamente conscientes de nossa posição como não membros das comunidades indígenas com as quais trabalhamos. Comecei a estudar as demandas políticas indígenas e as respostas dos Estados como consequência da minha pesquisa sobre participação da comunidade local, que, por sua vez, se desenvolveu a partir do meu interesse anterior em processos de descentralização do governo. Contudo, ao pesquisar sobre política indígena, diferentemente do que acontece com qualquer outro tema de pesquisa anterior, tenho me perguntado repetidamente se, como pesquisadora não indígena, tenho o direito de pesquisar sobre política indígena. É ético? Naturalmente, o processo de aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da minha universidade exige o cumprimento de práticas éticas de pesquisa. Mas isso é suficiente? É ético ou mesmo produtivo para mim, uma pesquisadora não indígena, estudar a política indígena? Eu nunca havia imaginado que certos tópicos ou questões pudessem estar fora do que eu tinha “permissão” moral ou ética para pesquisar. No entanto, a extração de conhecimento, territórios, corpos e patrimônio cultural indígena, que ocorre há centenas de anos e tem sido perpetrada por descendentes brancos como eu, constituiu motivos para reflexão. Será que o conhecimento indígena me seria confiado?

Quero acreditar que, com o tempo, serão principalmente os acadêmicos indígenas que escreverão sobre os direitos, as reivindicações e a política dos povos indígenas, bem como sobre muitos outros aspectos de suas nações e culturas. No máximo, devemos nos tornar coautores estratégicos, consultados por acadêmicos indígenas quando nossa expertise for necessária. Quero acreditar que, com o tempo, serão principalmente os acadêmicos indígenas que comunicarão sobre a política dos povos indígenas para um público mais amplo. Isso implicará, entre outros direitos e oportunidades, acesso ao ensino superior e de pós-graduação, bem como a empregos acadêmicos. No entanto, esses são direitos e oportunidades que, infelizmente, são escassos para muitas comunidades indígenas, particularmente no Sul Global. Assim, aceitei a ideia de que, enquanto isso, a produção acadêmica de cientistas sociais não indígenas é necessária para amplificar as vozes das nações indígenas e suas demandas, para contribuir com a retificação do registro histórico e político e para avançar nas reivindicações de plurinacionalidade e soberania, bem como em medidas de reparação e justiça restaurativa, onde as nações indígenas as solicitaram. Em outras palavras, acredito que os cientistas sociais não indígenas (eu inclusa) podem ser aliados das nações indígenas, mas, em última análise, caberá aos acadêmicos indígenas estudar a política dos povos indígenas, e devemos pavimentar o caminho para que isso aconteça. No futuro, acadêmicos não indígenas poderiam, por sua vez, concentrar sua atenção nas interações entre nações indígenas e outras entidades políticas, como estados, corporações ou organizações internacionais, complementando assim a produção acadêmica de pesquisadores indígenas.

Na minha experiência, a posição de aliança implica em criar pontes entre culturas e comunidades. Eu tenho feito isso na sala de aula, em particular no curso “People of the Land: Indigeneity and Politics in Argentina and Chile,”22 assim como na programação do Center for Latin American and Latinx Studies (CLALS) que eu dirigi na University of Pennsylvania (2016-2024), e na Section of Center Directors da Latin American Studies Association (LASA) que eu coordenei (2021-2023). Em meu curso, os alunos e eu começamos a ler principalmente autores indígenas e alguns não indígenas sobre como descolonizar a academia e a ciência política em particular. Aprendemos também como conduzir entrevistas aprofundadas, particularmente em situações de assimetria de poder. Na segunda parte do curso, os alunos, trabalhando em duplas, entrevistaram líderes indígenas mapuche, que receberam honorários como convidados de honra do nosso curso. O projeto final coletivo do curso foi um documentário em vídeo de 23 minutos com trechos das entrevistas realizadas, o qual foi aprovado e compartilhado com os entrevistados.23 Na CLALS e em colaboração com parceiros através de uma bolsa da Iniciativa Just Futures da Fundação Mellon, nossa equipe trouxe líderes indígenas para palestrar na University of Pennsylvania, como Glicérica Jesús da Silva24 e Luiz Eloy Terena,25 e tem se engajado com acadêmicos, profissionais e comunidades indígenas em pesquisas participativas em toda a América Latina. Em conjunto com o comitê executivo da Section of Center Directors da LASA, lançamos no outono de 2021 uma série intitulada “Indigeneity, Afro-descendants, and other marginalized populations in Latin America”. Durante o ano letivo de 2021-2022, sete eventos foram organizados por centros parceiros dos EUA, do Reino Unido e da América Latina, que contaram com a participação de 26 palestrantes, a maioria dos quais indígenas ou afrodescendentes. Por fim, como membro da minha comunidade universitária, esforço-me para aumentar o número de estudantes e docentes indígenas que fazem parte da nossa universidade.

Naturalmente, a prática de apoio pode assumir diferentes ações e formas, dependendo da posicionalidade do pesquisador e das necessidades e desejos das comunidades indígenas e de seus membros com os quais estamos envolvidos ou colaboramos por meio de pesquisa e educação.

Por que isso importa e o que você pode fazer?

Na minha opinião, a política indígena detém a chave para alguns dos problemas e questões mais interessantes do nosso tempo. Estudar a política indígena implica aprender, mensurar, compreender e, em última instância, encarar as consequências do colonialismo e do racismo em nossas sociedades e países. Isso traz complexidade às narrativas consagradas sobre a formação do Estado e a construção do Estado-nação, destacando os processos de exclusão, remoção forçada, violência e até genocídio que ocorreram durante a criação do “nós” dos modernos Estados-nação. O conhecimento indígena, em alguns casos, também detém a chave para a sustentabilidade e para um melhor cuidado com o planeta que habitamos. Em todas as ontologias indígenas que conheço, a natureza, os humanos e os não humanos não são separados, mas fazem parte de um único todo. Cuidar dos seres humanos, da flora, dos animais e do meio ambiente faz parte do mesmo processo. A política indígena me ensinou que a desapropriação de territórios está intimamente relacionada à saúde coletiva e individual. E, na minha opinião, a melhor maneira de abordar esses tópicos e questões é por meio de uma metodologia qualitativa que busca entender, ou verstehen, como escreveu Max Weber.26

Caso você, como pesquisador não indígena, escolha esse caminho de estudo, minha recomendação final é que fuja das classificações binárias simplistas, reducionistas e fáceis. Como escreveu Silvia Rivera Cusicanqui, um mundo de cinza é possível.27 Estudar política indígena me ensinou a evitar rótulos reducionistas binários e a abraçar a hibridez. Isso não significa que tudo seja permitido ou que não existam diferenças. Em contextos híbridos, podem existir diferenças em termos de direitos, reivindicações e políticas, dependendo, por exemplo, de quais aspectos da identidade se tornam mais relevantes em diferentes épocas e contextos. Os Estados-nação e os antropólogos desempenharam um papel central na definição de algumas identidades e comunidades, ao mesmo tempo que invisibilizaram ou apagaram outras. Na América Latina, por exemplo, durante a maior parte do século XX, os povos indígenas foram apagados da história e redefinidos como “campesinos”. As identidades indígenas estão hoje em dia mais visíveis e, juntamente com as línguas indígenas, são recuperadas onde haviam sido suprimidas. Para estudar com povos indígenas, devemos guiar nossa prática com respeito e reciprocidade, buscando indigenizar a academia e descolonizar nosso próprio conhecimento disciplinar.

Leituras recomendadas

  • De la Torre, Joely [ou Proudfit Joely]. 2004. “A Critical Look at the Isolation of American Indian Political Practices in the Nonempirical Social Science of Political Science”. In Indigenizing the Academy. Transforming Scholarship and Empowering Communities, ed. D. A. Mihesuah e A. C. o. W. Wilson. Lincoln e Londres: University of Nebraska Press, 174-90. A autora oferece uma perspectiva indígena americana sobre o estado da ciência política no meio acadêmico dos Estados Unidos. Ela convida os leitores a examinarem os nativos americanos como entidades políticas soberanas e destaca a importância de compreender os direitos coletivos e a cultura, história, costumes e questões dos grupos.

  • Kovach, Margaret. 2018. “Doing Indigenous Methodologies. A letter to a Research Class”. In The Sage Handbook of Qualitative Research. Fifth Edition, ed. N. K. Denzin e Y. S. Lincoln. Los Angeles: SAGE Publications Inc., 214-34. Kovach convida seus leitores a adotarem metodologias indígenas, que se baseiam em epistemologias indígenas. De acordo com a epistemologia indígena, o conhecimento é holístico (empírico, experiencial, sensorial e metafísico). Ele surge da interconectividade e da interdependência, bem como de uma multiplicidade de fontes, incluindo as não humanas, além de ser animado e fluido.

  • Foxworth, Raymond, e Cheryl Ellenwood. “Indigenous Peoples and Third Sector Research: Indigenous Data Sovereignty as a Framework to Improve Research Practices”. Voluntas, no. Fevereiro (2021). Foxworth e Ellenwood propõem a soberania de dados indígenas (IDSov - Indigenous data sovereignty) como “o direito dos povos e nações indígenas de governar a coleta, a propriedade e a aplicação de seus próprios dados” (p. 1) e discutem uma série de práticas “para realizar pesquisas com e para – e não sobre – as comunidades indígenas”. (p. 7)

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  1. Escrevo a palavra “Indígena” com inicial maiúscula quando me refiro a uma pessoa, comunidade ou nação para distingui-la do termo “indígena” aplicado a entidades não humanas originárias de um determinado lugar (como uma planta indígena, por exemplo). Ao fazer isso, sigo as recomendações da American Native Association of Journalists, bem como o estilo de escrita do New York Times. Recomendo que pesquisadores não Indígenas escrevam a palavra “Indígena” com inicial maiúscula quando se referirem a indivíduos, comunidades ou nações. ↩︎

  2. Seguindo Cobo (1986), Foxworth e Ellenwood (2021) definem os povos indígenas como aqueles “que têm ‘uma continuidade histórica com as sociedades pré-invasão e pré-coloniais que se desenvolveram em seus territórios e se consideram distintos de outros setores das sociedades que agora prevalecem nesses territórios’” (p. 1). ↩︎

  3. Alison Brysk, From Tribal Village to Global Village. Indian Rights and International Relations in Latin America (Stanford, CA: Stanford University Press, 2000); S. James Anaya, Indigenous Peoples in International Law (Second Edition) (Nova Iorque: Oxford University Press, 2004); Sheryl Lightfoot, Global Indigenous Politics. A Subtle Revolution (Nova Iorque: Routledge, 2016). ↩︎

  4. Salvador Schavelzon, El nacimiento del Estado Plurinacional de Bolivia: Etnografia de una Asambela Constituyente (La Paz, Bolivia: CEJIS e Plural Editores, 2012); Clayton Mendonca Cunha Filho, Formacao do Estado e Horizonte Plurinacional na Bolívia (Curitiba Appris, 2018). ↩︎

  5. Bret Gustafson, New Languages of the State. Indigenous Resurgence and the Politics of Knowledge in Bolivia (Durham e Londres: Duke University Press, 2009). ↩︎

  6. Silvia Rivera Cusicanqui, “Liberal Democracy and Ayllu Democracy in Bolivia: The Case of Northern Potosí”, Journal of Development Studies 26, no. 4 (1990); Mara Bicas, “Democracia aymara andina: taypi y diversidad deliberativa para una democracia intercultural”, in Estado Plurinacional y democracias. ALICE en Bolivia, ed. Boaventura de Sousa Santos e José Luis Exeni Rodríguez (La Paz: Friedrich Ebert Stiftung, 2019). ↩︎

  7. Tulia G. Falleti e Thea N. Riofrancos, “Endogenous Participation: Strengthening Prior Consultation in Extractive Economies”, World Politics 70, no. 1 (Janeiro de 2018); Claire Wright e Alexandra Tomaselli, The Prior Consultation of Indigenous Peoples in Latin America: Inside the Implementation Gap (Nova Iorque: Routledge, 2019). ↩︎

  8. Paola Velasco-Herrejón, Thomas Bauwens e Martin Calisto Friant, “Challenging dominant sustainability worldviews on the energy transition: Lessons from Indigenous communities in Mexico and a plea for pluriversal technologies”, World Development 150 (2022), https://doi.org/https://doi.org/10.1016/j.worlddev.2021.105725, https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0305750X21003405. ↩︎

  9. Kennan Ferguson, “Why Does Political Science Hate American Indians?”, Perspectives on Politics 14, no. 4 (2016). ↩︎

  10. Deborah J. Yashar, Contesting Citizenship in Latin America: the Rise of Indigenous Movements and the Postliberal Challenge (Nova Iorque: Cambridge University Press, 2005); Donna Lee Van Cott, From movements to parties in Latin America: the evolution of ethnic politics (Nova Iorque: Cambridge University Press, 2005); Antonio Lucero, Struggles of Voice. The politics of Indigenous Representation (Pittsburgh: University of Pittsburgh Press, 2008); Roberta Rice, The New Politics of Protest. Indigenous Mobilization in Latin America’s Neoliberal Era (Tucson: Univesity of Arizona Press, 2012); Guillermo Trejo, Popular Movements in Autocracies (Nova Iorque: Cambridge University Press, 2012); Todd A. Eisenstadt, Politics, Identity, and Mexico’s indigenous rights movements (Nova Iorque: Cambridge University Press, 2011); Raúl L. Madrid, The Rise of Ethnic Politics in Latin America (Nova Iorque: Cambridge University Press, 2012); Courtney Jung, The Moral Force of Indigenous Politics. Critical Liberalism and the Zapatistas (Nova Iorque: Cambridge University Press, 2008); Brysk, From Tribal Village to Global Village. Indian Rights and International Relations in Latin America. ↩︎

  11. Christopher L. Carter, States of extraction: The Emergence of Indigenous Rights in Latin America, in progress; Maria Belén Unzueta, Consensus and Conflict over Ethnic Classifications, in progress, Department of Sociology Princeton University; Nina McMurry, Danielle Hiraldo e Christopher L. Carter, “The rise of Indigenous recognition: implications for comparative politics”, APSA-Comparative Politics Newsletter XXXI, no. 1 (Primavera de 2021). ↩︎

  12. Entre outros, ver os capítulos de Cyr, Gellman, Pisano e Pearlman neste volume. ↩︎

  13. Margaret M. Bruchac, Savage Kin: Indigenous Informants and American Anthropologists (The University of Arizona Press, 2018); Lee M. Panich e Sara L. Gonzalez, The Routledge Handbook of the Archaeology of Indigenous-Colonial Interaction in the Americas (Londres e Nova Iorque: Routledge, 2021). ↩︎

  14. Agradeço à minha colega antropóloga Kristina Lyons pelo seu comentário pertinente. ↩︎

  15. Utilizo definições de senso comum para “respeito” e “reciprocidade”. No que diz respeito à “descolonização”, existe uma vasta literatura e debate sobre o tema, que não posso abordar no espaço disponível aqui. Para uma excelente introdução ao que é e ao que não é descolonização, ver Eve Tuck e K. Wayne Yang, “Decolonization is not a metaphor”, Decolonization: Indigeneity, Education & Society 1, no. 1 (2012). Agradeço a Raymond Foxworth e José Antonio Lucero por me recomendarem este artigo. ↩︎

  16. Por exemplo, Ned Blackhawk, Violence over the Land. Indians and Empires in the Early American West (Cambridge, MA e Londres, Inglaterra: Harvard University Press, 2006); Silvia Rivera Cusicanqui, Un mundo ch’ixi es posible. Ensayos desde un presente en crisis (La Paz, Bolivia: Piedra Rota y Tinat Limón, 2020); Audra Simpson, Mohawk interruptus: political life across the borders of settler states (Durham e Londres: Duke University Press, 2014); Philip J. Deloria, Playing Indian (New Haven e Londros: Yale University Press, 1998); Lightfoot, Global Indigenous Politics. A Subtle Revolution; Fernando Pairican Padilla, Malon. La Rebelión del Movimiento Mapuche, 1990-2013 (Santiago, Chile: Pehuén Editores, 2014); Nick Estes, Our History is the Future. Standing Rock versus the Dakota Access Pipeline, and the Long Tradition of Indigenous Resistance (Londres, Nova Iorque: Verso, 2019). ↩︎

  17. Quando as informações externas aos locais de pesquisa são escassas, nossa “etapa preparatória” para a pesquisa continua por meio da realização de múltiplas visitas de pesquisa de campo. ↩︎

  18. Descobri também que posso respeitar as ontologias indígenas, desde que não violem os direitos humanos. Até o momento, aprendi que minha compreensão e respeito cultural terminam onde suspeito da possibilidade de uma violação dos direitos humanos (particularmente no caso de nações indígenas que não são intocadas). Além disso, tenho consciência de que os direitos humanos que defendo estão temporalmente vinculados (ou seja, definidos pelo nosso tempo histórico) e derivam da doutrina liberal que faz parte do colonialismo e da experiência colonial dos povos indígenas. Reconheço que existe uma tensão não resolvida nesta posição. ↩︎

  19. Lauren M. MacLean, “The Power of the Interviewer”, in Interview Research in Political Science, ed. Layna Mosley (Ithaca e Londres: Cornell University Press, 2013). ↩︎

  20. Segundo Tuck e Yang (2012), a descolonização da academia permanecerá uma aspiração, ou um trabalho sempre em andamento, dada a história e os legados dos estados, sociedades e economias coloniais de povoamento. ↩︎

  21. https://mukurtu.org/ ↩︎

  22. Link para o programa do curso: https://upenn.box.com/s/qvlg86dgt8kcfklprnfyt4t0ejegnra5 ↩︎

  23. Link para o vídeo: https://upenn.box.com/s/0ebbrhqplvlpuisto6iztinuov90swsp ↩︎

  24. Também conhecida como Célia Tupinambá, é uma conhecida liderança indígena, professora, intelectual e artista da aldeia Serra do Padeiro, localizada na Terra Indígena Tupinambá de Olivença (sul da Bahia, Nordeste do Brasil). ↩︎

  25. O Dr. Luiz Eloy Terena tem atuado como advogado geral da APIB (Associação dos Povos Indígenas do Brasil). ↩︎

  26. Max Weber, Economy and society: an outline of interpretive sociology (Berkeley: University of California Press, 1978 [1922]). ↩︎

  27. Rivera Cusicanqui, Un mundo ch’ixi es posible. Ensayos desde un presente en crisis. ↩︎

Citação

Falleti, Tulia G.. 2024. 'Estudando a Política dos Povos Indígenas: Recomendações para Pesquisadores Não Indígenas'. Despossessões nas Américas. https://dia.upenn.edu/pt/content/FalletiT007/

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