Resumo
En 1665, os franceses conquistaram dos holandeses o controle de Caiena. A substituição no domínio colonial permitiu que os padres jesuítas Jean Grillet e François Bechamel embarcassem em uma expedição rio acima pelo Maroni. Durante as viagens, os jesuitas compilaram informação geográfica e demográfica fundamental para o futuro reconhecimento do território. Charles Inselin (1673-1715) elaborou um novo mapa da Guiana Francesa em 1685 a partir desses novos dados.
Com uma consolidação mais estável em Caiena a partir de 1676, os franceses tiveram a oportunidade de interagir com a numerosa população guianesa. A identificação dos povos originários e transformou em uma forma de organizar o território e visualizar um possível sistema de plantio. 1 Parte desses novos dados veio das explorações pioneiras de Grillet e Bechamel, que encontraram vários povos indígenas durante suas expedições. Entre eles, os jesuítas interagiram com os Acoquas, Nouragues, Galibis, Mercious e Pirioux. 2 O testemunho desses encontros aparece nas memórias de sua viagem, publicadas como libro em 1684 com o título Journal du Voyage. 3
Inselin apresenta um mapa orientado para o sul que inclui uma lista de 24 nações indígenas da Guiana (dessa vez chamada “Governo de Caiena” ou “França Equinocial”). O mapa oferece informações detalhadas sobre a possível localização de nações indígenas que viviam entre os rios Maroni e Amazonas. 4 A lista inclui povos que já foram previamente documentados em outros mapas, como os Arawak (Arauaques), Galibis, Nouragues, Pirious, Paragotes, Palicours e Supayes. No entando, também apresenta novas denominações, como os Acoquas, Aramichous, Aroüa, Coussari ou Mayez
O mapa também inclui descrições topográficas. Por exemplo, o cartógrafo enfatiza que a região entre os rios Oiapoque e Amazonas costumava ficar submersa ao mar. É interessante observar como os franceses situavam sua área de influência na Guiana desde o rio Maroni até o rio Amazonas. O império português, e logo o brasileiro, disputaram a reivindicação territorial francesa. 5 Assim, não é surpresa o mapa também incluir a localização de fortes portugueses nas margens do rio Amazonas. Embora seja difícil supor o uso, reprodução e circulação desse mapa, foram identificadas diversas versões, tanto manuscritas quanto impressas. 6
Referência do mapa:
Charles Inselin. Carte du Gouvernement de Cayenne ou France Aequinoctiale. Mapa, 21 x 27,5 cm. Bibliothèque Nationale de France - Gallica. Accesso em: 17 de julho de 2023. https://gallica.bnf.fr/ark:/12148/btv1b53103525g
Pluchon and Abénon, Histoire des Antilles et de la Guyane, 92. ↩︎
Bernard Montabo y Elie Stephenson, La Guyane: Un Nom, Une Histoire. Tome I. Du XVIIe au XIXe siècle (Paris: Orphie, 2010), 16-17. ↩︎
Há uma tradução para o inglês sob o título A journal of the travels of John Grillet, and Francis Bechamel into Guiana, in the year, 1674: In order to discover the great lake of Parima, and the many cities said to be situated on its banks, and reputed the richest in the world (Londres: Printed for S. Buckley, 1698). Library of Congress. Acesso em: 1º de agosto de 2024. https://lccn.loc.gov/02009562 ↩︎
Menciona os Acoquas, Arianes, Armagotes, Aramichous, Araacates, Aroüaquis, Aroüa, Aroubas, Acuranes, Coussari, Galibis, Maprouanes, Marones, Menejous, Macabas, Morovies. Mayez, Nouragues, Pirious, Paragotes, Palicours, Supayes, Ticoutous. ↩︎
Mam-Lam-Fouck and Anakesa-Kululuka, Nouvelle Histoire De La Guyane Française, 22. ↩︎
Ver, por exemplo: FGU0037, FGU0039, FGU0043, FGU0060, and FGU0087. ↩︎
Citação
Ardila Gutiérrez, Javier Ricardo. 2024. 'Mapa do Governo de Caiena ou França Equatorial'. Despossessões nas Américas. https://dia.upenn.edu/pt/content/FGU0050Y/





