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Lendo em Inglês

Comentário do mapa 1762 - 1770

Map of the French Guiana or Equinoctial France. Large, Beautiful, and Very Fertile Country in Meridional America. Paris, 1763

  • Ardila Gutiérrez, Javier Ricardo

Publicado: 2024

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Description des côtes de la Goyane ou Guyane / par Mr. Beteow ingénieur. Gallica. Last modified: September 21, 2015. Accessed, June 23, 2023.  https://gallica.bnf.fr/ark:/12148/btv1b53103843j

Description des côtes de la Goyane ou Guyane / par Mr. Beteow ingénieur. Gallica. Last modified: September 21, 2015. Accessed, June 23, 2023. https://gallica.bnf.fr/ark:/12148/btv1b53103843j

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Lendo em Espanhol

Comentário do mapa 1762 - 1770

Mapa de la Guayana Francesa o Francia Ecuatorial. Gran, hermoso y muy fértil país de América Meridional. París, 1763

  • Ardila Gutiérrez, Javier Ricardo

Publicado: 2024

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Description des côtes de la Goyane ou Guyane / par Mr. Beteow ingénieur. Gallica. Last modified: September 21, 2015. Accessed, June 23, 2023.  https://gallica.bnf.fr/ark:/12148/btv1b53103843j

Description des côtes de la Goyane ou Guyane / par Mr. Beteow ingénieur. Gallica. Last modified: September 21, 2015. Accessed, June 23, 2023. https://gallica.bnf.fr/ark:/12148/btv1b53103843j

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Comentário do mapa 1762 - 1770

Mapa da Guiana Francesa ou França Equatorial

  • Ardila Gutiérrez, Javier Ricardo

Publicado: 2024

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Beteow (gravador). *Carte de la Guyane Francoise ou France Equinoxiale. Grand, beau et très fertile Pays de l'Amerique Meridionale, située entre la Riviere de Marauny et le Cap Nord* Paris, 1763. Fonte: Gallica.

Beteow (gravador). Carte de la Guyane Francoise ou France Equinoxiale. Grand, beau et très fertile Pays de l’Amerique Meridionale, située entre la Riviere de Marauny et le Cap Nord Paris, 1763. Fonte: Gallica.

Resumo

Em 1764, o engenheiro Beteow elaborou um mapa da Guiana Francesa “baseado nos relatos mais recentes”. O documento fazia parte de uma ambiciosa campanha para incentivar a migração europeia e povoar a parte noroeste da colônia. No século XVIII, a Guiana Francesa estava muito atrasada em termos econômicos e demográficos em comparação com as outras colônias francesas nas Antilhas. Antes da Revolução Francesa, Saint Domingue (175.000.000 libras), Martinica (27.000.000 libras) e Guadalupe (25.000.000 libras) geravam uma riqueza significativa em exportações coloniais, enquanto os números da Guiana Francesa eram notavelmente modestos (600.000 libras). A população também era baixa. Seus 12.673 habitantes para 1789 estavam muito longe dos números de Saint Domingue (523.803), Martinica (99.284) ou Guadalupe (106.593).1

Apesar disso, o êxito das missões jesuítas nos rios da Guiana fez com que os franceses imaginassem a possibilidade de expandir o sistema de plantações na colônia. A missão de Kourou, situada entre os rios Sinnamary e Macouria desde princípios do século XVIII, seria o modelo para uma nova organização da economia guianense. O entusiasmo aumentou com os anos e, em 1762, o Duque de Choiseul, ministro da Marinha lançou um ambicioso plano para incentivar a migração em massa de europeus para a colônia.2

O mapa de Beteow fazia parte da propaganda deste projeto. No seu cabeçalho há uma narrativa sobre a história da Guiana e seu estado. A descrição enfatiza como a nova colônia deveria se situar entre os rios Maroni e Sinnamary.3 É notável como a representação cartográfica dessas “belas e muito férteis planícies” planejada para a nova colonização não inclui os povos indígenas. O mapa de Beteow difere de outros mapas contemporâneos da região, que mostram uma concentração considerável de povos indígenas na área.4 Beteow apresenta os indígenas, mas os situa no lado oposto da colônia projetada. O cartógrafo assinala a existência dos povos Palicouis (Palikweneh), Ioutane, Coussaris e Maykat (Mayez). Também acrescenta um breve comentário em que afirma que existe “uma quantidade de índios na região que desconhecemos”.

No entanto, se a representação gráfica invisibiliza os povos indígenas na costa atlântica, a narrativa textual toma outro rumo. É notável como o texto afirma que Guiana é a terra do povo Caribe. Continua,

Guiana, propriamente dita Paria e Caribana, é o assentamento do povo Caribe. Este povo, depois de habitar Florida, mudou-se para as Antilhas, de onde passou para a Terra Firme. Nós os conhecemos nas costas deste país. Os povos nativos que vivem no interior deste país são selvagens e cruéis.5

Uma descrição das práticas econômicas e culturais enriquece a narrativa sobre a migração do povo Caribe. Ao se referir à população indígena que permanece na ilha de Caiena, o narrador diz:

Os selvagens desta ilha são muito trabalhadores, os homens vão pescar e as mulheres cultivam a terra. Estão praticamente nus, comem os seus prisioneiros mais gordos e vendem os demais para os franceses. Eles têm apenas uma esposa, que só pode abandonar em caso de adultério. Respeitam muito os seus anciãos, adoram as estrelas e temem muito a um espírito a que chamam Piaye.6

O mapa de Beteow inclui outra variação significativa que contrasta com mapas anteriores da Guiana Francesa. No mapa de Inselin, por exemplo, Caiena aparece como uma ilha vazia, “aberta” à intervenção francesa, que tomaram o controle da ilha após um tratado com a nação Galibi (Kali’na).7 A nova circunstância permitiu a Beteow enfatizar a importância militar de Caiena. As informações textuais e gráficas abundam nesta intenção, para a qual o autor mobilizou dados sobre o número de soldados, canhões, defesas e o sistema judicial.8 Um motivo para esta exposição pormenorizada aponta para a história de Caiena como um ponto disputado pelos britânicos, holandeses e franceses, como lembra a narrativa no cabeçalho.9 Outra razão poderia ser o temor à população indígena, descrita como cruel e selvagem; ou a cimarrona, mencionada como aqueles “que nos fazem a guerra”. Seja como for, a representação de Caiena enfatiza tanto sua condição de espaço “civilizado” (com um hospital, escola, igrejas e uma cidade portuária em contacto com o mundo europeu), como um reduto do poder militar francês. A propaganda sobre o forte de Caiena como um lugar seguro para enfrentar e proteger a população de inimigos internos e externos seria uma garantia para que homens, mulheres e crianças europeias embarcassem no projeto de colonização de Kourou.

Citação do mapa:

Beteow (gravador). Carte de la Guyane Francoise ou France Equinoxiale. Grand, beau et très fertile Pays de l’Amerique Meridionale, située entre la Riviere de Marauny et le Cap Nord. Mapa, 36 x 47 cm. Paris, 1763. Bibliothèque Nationale de France - Gallica. Consultado em 12 de agosto de 2023. https://gallica.bnf.fr/ark:/12148/btv1b53103843j


  1. Pierre Pluchon e Lucien-René Abénon, Histoire des Antilles et de la Guyane (Toulouse: Privat, 1982), 267; Mam-Lam-Fouck e Anakesa-Kululuka apontam um pequeno crescimento da população da Guiana Francesa de 1700 (1 752) e 1716 (2 760), até 1759 (6 048). Serge Mam-Lam-Fouck e Apollinaire Anakesa-Kululuka, Nouvelle histoire de la Guyane Française: des souverainetés amérindiennes aux mutations de la société (Matoury, Guayana: Ibis rouge, 2013), 34 ↩︎

  2. Marion F. Godfroy, Kourou and the Struggle for a French America (Houndmills, Basingstoke, Hampshire: Palgrave Macmillan, 2015), 81-84. ↩︎

  3. « La partie qui doit etre occupée par la nouvelle colonie, est située entre les Rivieres de Marauny, despuis la côte jusqu’à son Embouchure celles d’Amaribo et de Synamari, cette Plaine qui est grande et vaste, est très belle et très agréable, cette colonie jouira l’avantage du comērce, par la proximité de la Riviere de Marauny, qui est forte, et qui n’ayant point de Cataractes, est propre au transport des merchandises […]. » ↩︎

  4. Ver, por exemplo, FGU0044. ↩︎

  5. « La GUYANE proprement dite la Paria et la Caribane, est l’Habitation des Caraïbes, Ces Peuples après avoir habité la Floride, se sont répandus dans les Isles Antilles, d’où ils ont passé dans la Terre-Ferme, on ne connoî que les Côtes de ce Pays. Les Peuples naturels qui habitent l’interieur de ce Pays, sont sauvages et brutaux […]. » ↩︎

  6. « Les Sauvages de cette Isle sont industrieux, les Homēs vont à la peche et les Femēs cultivent la terre, ils sont presque tout nuds, mangent leurs prissoniers le plus gras et vendent les outres aux François. Ils n’ont qu’un seule Femme qu’ils ne peuvent quitter qu’en cas d’adultere, ils respecte.nt beaucoup les viellards, ils adorent les Astres et craignent fort un mouvais génie qu’ils nomēnt *Piaye. *» Segundo pesquisas de François Dupuy, piaye ou pïjai é a denominação dos povos Wayana para seus xamãs. Francis Dupuy, « Dynamiques interethniques dans le haut Maroni, » em Pratiques et représentations linguistiques en Guyane. Regards croisés, edited by Isabelle Léglise and Bettina Migge (Marseille : IRD Éditions, 2008), paragraph 19. DOI: 10.4000/books.irdeditions.6936. O padre Lombard, fundador da missão de Kourou, descreve o piaye como um “curandeiro”, “charlatão”, ou “o chefe de todas as superstições indígenas.” Aime Lombard, « Lettre du P. Lombard, supérieur des missionaries de la Compagnie de Jésus dans la Guyane, sur la Mission de Kourou, précédé et suive de quelques détails sur les travaux des autres missionnaires jésuites de la Guyane jusqu’à la révolution française » em Mission de Cayenne et de la Guyane française compiled by Fortuné de Montezon (Paris: Julien, Lanier, Cosnard, 1853), 231, 289 ↩︎

  7. Mam-Lam-Fouck and Anakesa-Kululuka, Nouvelle histoire de la Guyane Française, 35-36. ↩︎

  8. « Cayenne est la Capitale de cette Isle il y à [sic] un bon Port cette Ville qui come j’ai dit ci dessus est à l’Embouchure de la Riv.re de Cayenne est deffendue par un Fort qui la comānd de tous cotés, par differentes batteries qui montent a 60 pieces de canon, la Garnison est composée de 200 Soldats, le Gouverneur y administrer la Justice et son autorité s’étend plus de 100 Lieues, sur le bord du Continent. » ↩︎

  9. « En 1635, comme les differentes Nations de l’Europe, cherchoient [sic] a former des établissements dans l’Amerique, les François aprè s’etre étrabli dans la Martinique, vinrent sus les Côtes de la Guyane et y fixerent des établissement dans la Caribane, batirent dans l’Isle de Cayenne une Ville qui porte son nom. Dix-neuf ans après les Anglois sous Cromvel, la prirent aux Francois et la garderent jusqu’en 1664 que M.r de la Barre y rétablit les Francois. Les Hollandois s’en emparerent au mois de May 1674, mais les Francois la repirent sous le Comte d’Etrée le 21 Decembre 1675, elle a toujours eté depuis a la France […]. » ↩︎

Citação

Ardila Gutiérrez, Javier Ricardo. 2024. 'Mapa da Guiana Francesa ou França Equatorial'. Despossessões nas Américas. https://dia.upenn.edu/pt/content/FGU0005Y/

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Beteow (gravador). Carte de la Guyane Francoise ou France Equinoxiale. Grand, beau et très fertile Pays de l’Amerique Meridionale, située entre la Riviere de Marauny et le Cap Nord Paris, 1763. Fonte: Gallica.

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