Resumo
Local: Museo de Bellas Artes de Chile em Santiago, Chile.
Por séculos os diferentes povos indígenas que habitam o Abya Yala questionam o extrativismo, não pela matriz econômica, mas no que diz respeito à relação viva entre natureza e humanidade. Embora esse debate esteve longe do domínio da história da arte, domínio em que o Museu de Bellas Artes de Chile (MNBA) têm sido fiel, El Robo del Dolor busca reestabelecer o equilíbrio. Dividido entre as seções Episterricídio, Ficção da racialização, Erótica da extração e Saberes ancestrais, essa exposição coletiva trabalha contra as denominações e hierarquias do modernismo e do pensamento eurocêntrico, enquanto situa os saberes ancestrais indígenas contra o projeto de “mestiçagem” e uma amnésia geral do passado. Temas como as migrações, as dissidências sexuais e de gênero e as relações de poder racistas são evidenciados através das obras selecionadas.
“A história da modernidade é uma história global de violência e dor. A colonização, que acarretou o processo de imposição cultural por parte do Ocidente e a extração de matérias primas, foi marcada pela produção de profundas feridas, dando lugar a rupturas que deixam cicatrizes nos territórios, assim como em múltiplas comunidades”, explicam os curadores Lucía Egaña Rojas e Francisco Godoy Vega.
A exposição pretendia fazer uma releitura da coleção do MNBA à luz dessas premissas extrativistas e em diálogo com a arte contemporânea. O resultado foi uma mistura de respostas corporais e (des)encontros tensos com o museu para expor como o que foi considerado como “Belas Artes” no Chile sempre incluía uma relação problemática com a classe social, raça, gênero e sexualidade – todos historicamente implicados ao processo extrativista. Construir essa exposição com artefatos do Museu Histórico Nacional fortaleceu a relação entre a história da arte e a história social da nação, revelando como, a partir da colonização, a arte continua a existir como um artefato de poder.

Padre las Casas amamantado por una india (ca. 1875), José Miguel Blanco (detalhe). Colección Museo O’Higginiano y de Bellas Artes de Talca. Cortesia Museo de Bellas Artes de Chile.
Artistas participantes incluem: Nato Montoya Lecarios, Mirna Ticona, Susana Torres, Colectiva con voz propia (Jovita Tzul Tzul, Miriam Batz, Romeo Tiu, Aura Marina Chojlàn, Irma Gutierrez, Geobany Cux, Gladys Tzul Tzul), Colectivo Rangintulewfu (Daniela Catrileo, Sebastián Calfuqueo, Ange Valderrama Cayumán, Paula Baeza Pailamilla), Bernardo Oyarzún, Annie Ganzala, Lissette Nin, Gloria Camiruaga, Giuseppe Campusano, Rafa Esparza, CENEx (Isabel Torres, Juana Guerrero, Lucía Egaña), Ruda colectiva, Ana Mendieta, Mayeli Villalba, Luis Ospina, Carlos Mayolo, muSa Michelle Mattiuzzi, Nadia Granados, Hélio Oiticica, Ingrid Wildi-Merino.
Site oficial: https://www.mnba.gob.cl/noticias/el-robo-del-dolor
Citação
Egaña, Lucía, e Francisco Godoy. 2023. 'O Roubo da Dor'. Despossessões nas Américas. https://dia.upenn.edu/pt/content/EganaL001/

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