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Lendo em Inglês

Narrativa 2023

MALLKUANKA – Vuelo Surnorte de Colores/The South-North Flight of Colors

  • Bartch, Catherine

  • Roberto 'Mamani Mamani'

Publicado: 2023

Roberto Mamani Mamani in front of his mural MALLKUANKA – Vuelo Surnorte de Colores/The South-North Flight of Colors, located at 2100 Washington Avenue, Philadelphia, PA on the east side of the Philadelphia Animal Specialty and Emergency (PASE) building. Photo credit: Bryan Karl Lathrop.

Roberto Mamani Mamani in front of his mural MALLKUANKA – Vuelo Surnorte de Colores/The South-North Flight of Colors, located at 2100 Washington Avenue, Philadelphia, PA on the east side of the Philadelphia Animal Specialty and Emergency (PASE) building. Photo credit: Bryan Karl Lathrop.

Lendo em Espanhol

Narrativa 2023

MALLKUANKA - Vuelo Sur-Norte de Colores/The South-North Flight of Colors

  • Bartch, Catherine

  • Roberto 'Mamani Mamani'

Publicado: 2023

Roberto Mamani Mamani delante de su mural MALLKUANKA - Vuelo Surnorte de Colores/The South-North Flight of Colors, situado en 2100 Washington Avenue, Filadelfia, PA, en el lado este del edificio Philadelphia Animal Specialty and Emergency (PASE). Fotografía: Bryan Karl Lathrop.

Roberto Mamani Mamani delante de su mural MALLKUANKA - Vuelo Surnorte de Colores/The South-North Flight of Colors, situado en 2100 Washington Avenue, Filadelfia, PA, en el lado este del edificio Philadelphia Animal Specialty and Emergency (PASE). Fotografía: Bryan Karl Lathrop.

Narrativa 2023

MALLKUANKA – Vuelo Sur-Norte de Colores/O voo Sul-Norte das Cores: um mural por Roberto Mamani Mamani

  • Bartch, Catherine

  • Roberto 'Mamani Mamani'

Publicado: 2023

Roberto Mamani Mamani em frente ao seu mural MALLKUANKA – Vuelo Sur-Norte de Colores/ O voo Sul-Norte das Cores, na Avenida Washington, 2100, Filadélfia, PA, no lado leste do prédio do *Philadelphia Animal Specialty and Emergency* (PASE). Fotografia por Bryan Karl Lathrop.

Roberto Mamani Mamani em frente ao seu mural MALLKUANKA – Vuelo Sur-Norte de Colores/ O voo Sul-Norte das Cores, na Avenida Washington, 2100, Filadélfia, PA, no lado leste do prédio do Philadelphia Animal Specialty and Emergency (PASE). Fotografia por Bryan Karl Lathrop.

Resumo

O que é o MALLKUANKA- Vuelo Surnorte De Colores/ O voo Sul-Norte das Cores?

Como imaginamos encontros dos povos do sul e do norte? Como promovemos conexões entre a América do Sul e a América do Norte, ou América Latina e os EUA? O renomado artista boliviano e aimará, Roberto Mamani Mamani, junto a um grupo de pessoas da Bolívia e da Filadélfia, criou e pintou o vibrante mural MALLKUANKA – Vuelo Sur-Norte de Colores/O voo Sul-Norte de Cores em Filadélfia, PA, como forma de representar a unidade. A beleza do mural ressalta as inter-relações entre as pessoas e a natureza de modo a transcender fronteiras.

MallkuAnka retrata paisagens andinas e da Filadélfia, usando cores para mapear encontros entre culturas e seres. O mural harmoniza as dualidades que emergem dos encontros: o condor (sul), e a águia (norte), a cidade e as montanhas, o sol e a lua, o que é terreno e o que é sagrado. Pintado no lado de uma clínica veterinária (PASE), numa longa parede (39,6 metros de largura por 6,1 metros de altura), animais representando a América do Sul e a América do Norte reúnem ambas as culturas sob o amparo da Pachamama, ou Mãe Terra – a figura central do mural. A concepção da obra retrata a importância da unidade entre os dois hemisférios, com o voo sul-norte do condor e da águia, e como os povos de ambos os hemisférios podem viver em harmonia, respeitando a Pachamama, e tudo o que ela simboliza, incluindo a energia e a vida.

Na criação de MALLKUANKA - Vuelo Sur-Norte de Colores/O Voo Sul-Norte das Cores, Mamani Mamani foi auxiliado por Yod Ruben Quisbert Quispe, Ilampu Adhemar Aguilar Jove, Ilimani Gabriel Aquilar Jove, Emmanuel Amaru Aquilar Jove e Mara Henao.1

Quem é Roberto Mamani?

Roberto Mamani Mamani é um artista e muralista aimará internacionalmente aclamado de La Paz e Cochabamba, na Bolívia. Seu trabalho vívido e extraordinário retrata símbolos da tradição indígena andina e da cosmovisão, ou visão de mundo, transmitindo força, orgulho e um compromisso com uma vida sustentável, pacífica e espiritual. Ele entrelaça temas históricos, tais como o impacto da colonização e como a comunidade Aimará-Quechua, depois de anos de marginalização e opressão, lutou por uma identidade coletiva fortalecida na região. Um artista autodidata, Mamani Mamani exibiu suas obras em aproximadamente 60 exposições em todo o mundo, incluindo Argentina, Brasil, Estados Unidos, México, Itália, França e Reino Unido. Ele participou das Exposições Mundiais (World Expos) e da La Biennale Di Venezia/ Exposição internacional de Arte na Itália, e recebeu inúmeros reconhecimentos nacionais e internacionais ao longo dos anos. Além disso, Mamani Mamani pintou murais gigantescos, com 12 andares de altura, no projeto habitacional comunitário de Wiphala, em El Alto na Bolívia, uma cidade adjacente a La Paz.

Sua arte dá vida ao espirito do “Buen Vivir” (ou Sumak Kawsay em quéchua), um movimento e filosofia inspirados pela cosmovisão andina, que prega uma vida em harmonia com a comunidade e o meio ambiente, e rejeita o capitalismo e o consumismo desenfreado e irrestrito. Desde muito jovem, Mamani Mamani começou a criar arte em sua cidade natal de Cochabamba, e, ao longo de sua carreira, os princípios do Buen Vivir e de toda cosmovisão andina guiaram seu trabalho e sua paixão artística. Ele saúda a todos com “Jallalla: toda la energia de los Andes” ou “que toda a energia dos Andes esteja com você”.

Por que criar esse mural na Filadélfia?

A magnífica obra de arte do mural foi produzida por Mamani Mamani como parte do projeto Penn-Mellon Desapropriação nas Américas, com o apoio organizacional do Centro de Estudos Latino-Americanos e Latinos da Universidade de Pensilvânia, do Programa Sachs para Inovação nas Artes, e do Mural Arts Philadelphia*.***

O Mural Arts Philadelphia é “dedicado à crença de que a arte provoca mudanças.” Os entre 50 a 100 projetos públicos de arte, liderados anualmente pelo Mural Arts são produzidos por meio de um processo participativo, que tem como objetivo “criar arte que transforma espaços públicos e vidas individuais”.

“Mural Arts Philadelphia imagina um mundo onde todas as pessoas tenham uma voz ativa no futuro e de suas vidas e comunidades; onde a arte e a prática criativa são respeitadas como fundamentais para o senso de identidade e pertencimento; e onde o vigor cultural reflita e honre todas as identidades e experiências humanas.”2

O Mural Arts também enfatiza o conhecimento baseado em investigação e colaboração respeitosa e atenta. Sua programação abrange justiça restaurativa, educação artística e engajamento cívico.

Esse projeto universitário-comunitário colaborativo representa uma oportunidade relativamente rara. Na realidade, em uma entrevista com Jane Golden, Diretora Executiva do Mural Arts, ela menciona que as parcerias universitárias com o Mural Arts tem sido poucas, e que ela pode “contar nos dedos de uma só mão”. 3 A iniciativa MallkuAnka também forneceu uma oportunidade de convidar um artista internacional para Filadélfia, que “aspira a ser uma cidade global”.4

Os temas e as imagens do mural são relevantes para comunidades ao redor do mundo. Por exemplo, o “Buen Vivir” (Sumak Kawsay em quéchua) enfatiza que “o sujeito do bem-estar não é o indivíduo, mas o indivíduo em um contexto social de sua comunidade e em uma situação ambiental única” diz Eduardo Gudyana, um pesquisador sênior no Centro Latino-Americano de Ecologia Social. 5 Filadélfia ainda mantém o maior índice de pobreza entre as maiores cidades dos Estados Unidos, com uma média de 21,7% de pessoas vivendo na pobreza, chegando a 33% entre os hispânicos e 35% entre os adultos que não completaram o ensino médio, de acordo com a Fundação Pew .6 A cosmovisão andina, com o conceito de “Buen Vivir”, é importante para a Filadélfia e outras cidades semelhantes, em todo o mundo, que enfrentam pobreza, racismo, violência armada e outros problemas sociais que ameaçam a saúde, o bem-estar e a comunidade.

O mural também destaca a importância da diversidade na Filadélfia. 16% das aproximadamente 1,5 milhão de pessoas que vivem na Filadélfia se identificam como latinos ou hispânicos.7 É igualmente importante que o mural capte a relevância dos povos indígenas e de suas filosofias, porque as narrativas sobre os mesmos, encontradas na educação, por líderes ou nos meios de comunicação em massa, frequentemente propagam estereótipos nocivos e discriminatórios.

Naeemah Patterson, uma das coordenadoras do projeto do mural MallkuAnka junto com o Mural Arts Philadelphia, explicou que o MallkuAnka transmite a mensagem “nós estamos aqui”, incluindo todos que são indígenas, latino-americanos ou que encontram significado na cosmovisão andina. “É um sinal grande, claro e óbvio que nós estamos aqui, para que crianças possam ver e se identificar com isso, e que os idosos possam ver e se sentir valorizados e bem-vindos.”

Explorando mais a fundo o mural MallkuAnka e seus símbolos:

O condor e a águia: De acordo com Mamani Mamani, Mallku, ou condor em aimará, representa autoridade, e é um guia espiritual dos Andes. Anka é águia em quéchua, a ave majestosa da América do Norte. O subtítulo do mural se refere ao voo do sul para o norte, e o artista usa muitas cores diferentes para reconhecer que somos todos iguais, que podemos caminhar juntos, e a união do condor e da águia representa isso. A Pachamama demonstra felicidade e tristeza por seus filhos, e reflete que todos os seres estão vivos – não apenas humanos, mas também as plantas, animais e outras criaturas.

O condor representado à esquerda e a águia à direita. Fotografia por Erin Blewett.

O condor representado à esquerda e a águia à direita. Fotografia por Erin Blewett.

As asas ligadas ao condor (no lado direito) exibem as cores da bandeira Wiphala, e as do lado direito, ligadas à águia, refletem as cores da bandeira dos EUA. Laura Gonzáles Tinoco, uma historiadora de arte e estudiosa do trabalho de Mamani Mamani explica:

“A figura central do mural representa a divindade Pachamama, rodeada por folhas de coca radiantes, acompanhada de um pássaro de duas cabeças com as asas estendidas. Com esse gesto, o pintor expressa sua benevolência e esperança para a uma unidade entre as nações, ao representar a cabeça do condor (América do Sul) e da água (América do Norte) em fusão para acompanhar a Mãe Terra. Essa visão corresponde à incorporação da profecia popular que anuncia um tempo em que as duas aves virão ao seu encontro para acompanhar seu voo, de modo que as duas Américas vão se encontrar novamente no místico continente de Abya-yala” 8

Cosmovisão e os animais: Mamani Mamani explica que o mural capta a cosmovisão em cada região, ou seja, o encontro entre os Andes e a Filadélfia. Os animais pintados no lado da Filadélfia do mural são endêmicos da América do Norte, como os esquilos, bisões ou búfalos, lobos, veados e corujas. Do outro lado, temo ursos, lhamas, os quirquinchos (tatu chileno) e os viscachas. O mural reflete a reverência do artista pelos animais e pela natureza, incluindo a Cordilheira dos Andes (do lado esquerdo do mural).

González Tinoco enfatiza que “o mural também nos mostra sobre a importância dos animais na espiritualidade dos povos indígenas”. Por exemplo, ela explica que “o pássaro se refere ao amparo da visita dos espíritos ancestrais, enquanto a lhama é outro animal sagrado” com “destaque na ritualidade”

Imagem dos animais do mural do lado da Filadélfia, incluindo o búfalo e o esquilo. Fotografia por Erin Blewett.

Imagem dos animais do mural do lado da Filadélfia, incluindo o búfalo e o esquilo. Fotografia por Erin Blewett.

Um bisão ou búfalo, nativo da América do Norte. Fotografia por Erin Blewett.

Um bisão ou búfalo, nativo da América do Norte. Fotografia por Erin Blewett.

Ursos, um mamífero que habita ambas as Américas do Sul e do Norte. Fotografia por Erin Blewett.

Ursos, um mamífero que habita ambas as Américas do Sul e do Norte. Fotografia por Erin Blewett.

Lindos pássaros, um tatu, ou quirquincho, e lhamas, do lado Andino do mural. Fotografia por Erin Blewett.

Lindos pássaros, um tatu, ou quirquincho, e lhamas, do lado Andino do mural. Fotografia por Erin Blewett.

Um tatu, originariamente da América do Sul – embora existam muitos agora nos Estados Unidos. Em 2022, a Bolívia declarou o tatu, ou quirquincho, ameaçado de extinção, como patrimônio natural do país, para aumentar sua conservação. Fotografia por Erin Blewett.

Um tatu, originariamente da América do Sul – embora existam muitos agora nos Estados Unidos. Em 2022, a Bolívia declarou o tatu, ou quirquincho, ameaçado de extinção, como patrimônio natural do país, para aumentar sua conservação. Fotografia por Erin Blewett.

Pachamama: A protagonista central do mural é a Pachamama. Pacha significa terra, cosmo, universo em quéchua e aimará. E a outra parte da palavra, mama, significa mãe. Ela é a deusa da natureza, da fertilidade e da colheita. Uma oferenda a ela é uma oferenda ao mundo espiritual. É um termo que possui um significado importante para os povos indígenas e para os Andes porque eles se veem interconectados com o mundo espiritual e terreno, eles estão integrados. De acordo com González Tinoco, a Pachamama representa o tempo e o espaço, a importância da terra e a síntese entre o ser humano e a natureza.

Pelo menos 60% dos Bolivianos possuem suas origens oriundas de povos indígenas, e destinar oferendas para a Pachamama é uma prática comum, e elas podem ser em forma de flores, ao servir bebidas ou deixando folhas de coca no solo. Os bolivianos que são católicos também mantêm o respeito pela Pachamama e realizam suas oferendas.

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A Pachamama, representada por Roberto Mamani Mamani. Ela foi pintada no centro do mural, simbolizando a força poderosa da Mãe Terra. Fotografia por Erin Blewett.

A Pachamama, representada por Roberto Mamani Mamani. Ela foi pintada no centro do mural, simbolizando a força poderosa da Mãe Terra. Fotografia por Erin Blewett.

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Whipala:** Conhecida como a bandeira andina, é uma representação quadriculada do arco-íris, que é considerado sagrado na sabedoria ancestral. Atualmente, a Whipala também simboliza o orgulho indígena. Muitas comunidades indígenas nos Andes afirmam que a Whipala é uma representação de sua cultura. Na fotografia acima, a figura feminina de Chacha Warmi segura a bandeira Whipala.

Natureza: São muitos os elementos da natureza considerados parte da Pachamama, como o sol, a lua, o trovão, etc., sendo assim, ela não pode ser reduzida a commodities, ela é sagrada. Os elementos naturais são complementares e possuem significado espiritual. Essa cosmovisão andina, baseada no respeito pela terra, é de grande contribuição para as questões atuais globais quanto à mudança climática e como cuidar do planeta nesse cenário.

Coca: A coca é uma folha sagrada usada como oferenda para a Mãe Terra. Na realidade, em oferendas comuns, a coca é oferecida para vários níveis do mundo espiritual. A folha sagrada pode ser ofertada para o submundo (Uju Pacha), representado pela poderosa e sábia serpente, ou Amaru; para a Kay Pacha – o mundo da superfície, também conhecido como Pachamama, habitado por nós, humanos – representado pelo imponente puma; ou para o Janaq Pacha (o mundo superior), representado pelo voo do condor. Em algumas ocasiões os shamans, ou líderes espirituais, consideram as folhas de coca capazes de nos conectar com os deuses dos três mundos.

No mural, Roberto Mamani Mamani pintou as folhas de coca nos dois lados do arco que enfeita a Pachamama. No lado esquerdo, o arco foi pintado com as cores da bandeira Whipala, e no lado direito com as cores da bandeira da Filadélfia.

Folhas de coca que enfeitam a Pachamama. Fotografia por Erin Blewett.

Folhas de coca que enfeitam a Pachamama. Fotografia por Erin Blewett.

Inti- No canto esquerdo, podemos ver o Inti, o deus do sol considerado o pai do povo Aimará e representado pelo sol brilhante. Ele é a fonte de calor, luz e vida, além de garantir colheitas abundantes e prosperidade.

Mama Killa- No canto direito está a Mama Killa, ou a deusa da lua, que é a irmã e a esposa de Inti e, junto aos outros deuses, eles representam a fundação da civilização Inca. A Mama Killa é associada à fertilidade, feminilidade e aos ciclos da vida, ela também protege mulheres e crianças e é a ela a quem se recorre durante o parto.

Chacha Warmi- Essas figuras se encontram abaixo da Pachamama. Mamani Mamani explica que eles representam dois opostos que se complementam ou homem e mulher vindos do solo ou da terra. As figuras revelam a força de cada hemisfério para anunciar que há equilíbrio na Terra e fazem um apelo para respeitar todos os seres vivos ao nosso redor.

González Tinoco enfatiza que as figuras de Chacha Warmi representam a transmutação de animais em pessoas e vice versa. Símbolos como o chacha puma (hombre puma) ou o chachacondori (hombre condor) transmitem a união entre humanos e animais. Muitas lendas incluem personagens que são descendentes ou parentes dos animais sagrados, e mais ainda, são seres vivos metade humanos e metade animais. Algumas imagens do mural demonstram essa crença de animais e humanos como um só.

González Tinoco explica mais profundamente o significado histórico dessas duas figuras:

A imagem da Pachamama abarca as figuras de um homem e de uma mulher indígenas que erguem o poder de comando e a whipala como líderes que convocam o povo ao seu chamado. Mamani Mamani representa as figuras de Tupac Katari e Bartolina Sisa como símbolos da rebelião coletiva indígena contra a opressão. Lembrando que as insurgências indígenas eram contínuas durante a colonização espanhola, sendo o ciclo rebelde de Aimará-Quechua, dos anos de 1780 a 1783, o precursor da independência Latino-Americana. Várias revoltas iniciadas pelos irmãos Katari, na região de Charcas, pela família Tupaq Amaru, próximo à região de Cuzco, e por Tupac Katari, junto à sua esposa Bartolina Sisa, em La paz, foram importantes para a mobilização do antigo kollasuyu contra o peso do colonialismo.9

Wiracocha- Na lateral esquerdo do mural, ao lado do condor, se encontra o Wiracocha, ou o grande criador de todo o Universo Andino. Surgindo da água, ele é o professor do mundo. Wiracocha foi um deus nômade com um pássaro mensageiro mágico de asas douradas. Ele criou os homens entalhando-os na pedra, e, enquanto os nomeava, eles se tornavam independentes e se desdobravam no universo escuro antes da criação do sol.

Wiracocha junto ao Inti, o deus sol, acima. Fotografia por Illampu Aguilar Jove.

Wiracocha junto ao Inti, o deus sol, acima. Fotografia por Illampu Aguilar Jove.

Cruz Inca ou Chakana- No meio da Pachamama há um símbolo muito poderoso do Chakana, composto de quatro quadrantes e significa “atravessar” em quéchua. O símbolo denota a interação entre os mundos subterrâneo, celestial e terrestre (ou humano), assim como a interconexão de virtudes e valores como honestidade e trabalho.

Símbolos da Filadélfia/América do Norte- Na lateral direita, Mamani Mamani pintou o horizonte da Filadélfia, contendo o Independece Hall, o Museu de Arte de Filadélfia, a Ponte Benjamin Franklin e outros prédios históricos. Ele também incluiu símbolos dos nativos Norte-Americanos, como o Poste Totêmico.

Postes Totêmicos – São monumentos criados pelos Povos Indígenas do Noroeste do Pacífico, para honrar os eventos, os ancestrais e a história dos povos indígenas. É frequente a exibição de seres ou emblemas de animais para registrar as histórias por trás dos direitos e privilégios familiares. A Filadélfia se situa dentro de Lenapehoking, a terra natal ancestral do povo Lenape.

Ao visitar o mural, considere as seguintes questões:

  • O que você vê no mural?

  • O que podemos aprender com a cosmovisão andina? Como o entendimento das narrativas por trás desses diversos símbolos pode trazer uma compreensão pra a sociedade atual, na Filadélfia, na Bolívia ou em qualquer lugar do mundo?

  • Por que você acha que esse mural é importante para a Filadélfia?

  • Sobre o que mais você gostaria de aprender?

  • Quais outras mensagens você acha que o artista e seu time estavam querendo transmitir com esse mural?

  • Envie-nos suas fotos! Por favor, nos envie suas fotos do mural para que possamos coloca-las no site “Jallalla”, que funciona como o repositório de artigos, vídeos e outras fontes que conversam com a vida e a arte de Mamani Mamani.

Notícias e referências relativas ao mural:

Acceso Total. “El artista de Bolivia Mamani Mamani muestra el aporte cultural con sus pinturas.” Noticiero 47 Telemundo. 27 de outubro de 2023. https://www.telemundo47.com/acceso-total-2/el-artista-de-bolivia-mamani-mamani-muestra-el-aporte-cultural-con-sus-pinturas/2428630/

Centro de Estudos Latino-Americanos e Latinos, Universidade de Pensilvânia. “A new mural by Bolivian artist Roberto Mamani Mamani brings the vibrant and powerful energy of the Andes to Philadelphia.” CLALS News. 4 de outubro de 2023. https://clals.sas.upenn.edu/news/new-mural-bolivian-artist-roberto-mamani-mamani-brings-vibrant-and-powerful-energy-andes

Centro de Estudos Latino-Americanos e Latinos, Universidade de Pensilvânia. “Renowned Bolivian Artist Roberto Mamani Mamani is now in town!” CLALS News. 30 de agosto de 2023. https://clals.sas.upenn.edu/news/renowned-bolivian-artist-roberto-mamani-mamani-now-town

Donnelly Johnson, Jenny. “Bolivia’s Roberto Mamani Mamani in Residence.” Mural Arts Website (blog). 30 de agosto de 2023. https://www.muralarts.org/blog/bolivias-roberto-mamani-mamani-in-residence/

García, Kristina. “Showcasing an Andean Cosmovision.” Penn Today. 12 de outubro de 2023. https://penntoday.upenn.edu/news/Mamani-Mamani-mural-andean-cosmovision-latin-american-studies

González Tinoco, Laura. La Cosmovisión andina y Mamani Mamani. El valor de la imagen como exaltación identitarian indígena. Tese de doutorado. Universitat de Barcelona, 2024.

Mikati, Massarah. “Bolivia in Philadelphia: Mural Arts Commissions Renowned Artist Roberto Mamani Mamani.” Philadelphia Inquirer. 4 de outubro de 2023. https://www.inquirer.com/arts/roberto-mamino-mural-arts-bolivia-philadelphia-20231004.html

Referências adicionais:

Anez, Arnoldo. “Ideas for Discussion for ‘Applying Andean Philosophies.’” Prepared for a Quechua@Penn and Center for Latin American and Latinx Studies talk on March 19, 2024. Includes cited text about the relationship between the Eagle and the Condor.

Brady, Christy, CPA. City Controller, City of Philadelphia. “Mapping Philadelphia’s Gun Violence Crisis.” 2024. https://controller.phila.gov/philadelphia-audits/mapping-gun-violence/#/?year=2024&map=10.00%2F40.05237%2F-75.15017

Cooper, Kenny. “Philadelphia is America’s Poorest Big City: Here’s What That Actually Means.” WHYY. 10 de janeiro de 2024. https://whyy.org/articles/philadelphia-americas-poorest-big-city-poverty/#:~:text=Poverty%20is%20as%20synonymous%20with,state%20Senator%20Art%20Haywood%20said.

Ferguson, Britten. “Coca: The Sacred Leaf.” TDA Global Cycling (blog). 23 de setembro de 2015, https://tdaglobalcycling.com/2015/09/coca-the-sacred-leaf/

González, Laura Tinoco, 2024. “The value of the indigenous worldview in Mallkuanka. Colorful south-north flight” https://web.sas.upenn.edu/jallalla/. Acesso em: 16 de novembro de 2024.

Gudynas, Eduardo2016. “Buen Vivir: the Social Philosophy Inspiring Movements in South America. https://www.theguardian.com/sustainable-business/blog/buen-vivir-philosophy-south-america-eduardo-gudynas. Acesso em: 16 de novembro de 2024.

Huang, Alice. “What are Totem Poles?” Indigenous Foundations.arts.ubc.ca https://indigenousfoundations.arts.ubc.ca/totem_poles/

Jallalla: Healing and Claiming Indigeneity Through the Arts Website. https://web.sas.upenn.edu/jallalla/

Miniserie. Museo Larco. “Cosmovisión Indígena en las Américas.” https://www.museolarco.org/miniserie/cosmovision-indigena-en-las-americas/ (em inglês e também em outras línguas)

PEW. Philadelphia 2024:The State of the City. https://www.pewtrusts.org/en/research-and-analysis/reports/2024/04/philadelphia-2024

Roberto Mamani Mamani em frente a sua representação da Pachamama, no topo o condor (sul) e a águia (norte). Fotografia por Bryan Karl Lathrop

Roberto Mamani Mamani em frente a sua representação da Pachamama, no topo o condor (sul) e a águia (norte). Fotografia por Bryan Karl Lathrop

Tulia Falleti, diretora de pesquisa, discursando na inauguração do mural. Fotografia por Bryan Karl Lathrop.

Tulia Falleti, diretora de pesquisa, discursando na inauguração do mural. Fotografia por Bryan Karl Lathrop.

Evento da inauguração do mural. 28 de setembro de 2023. Fotografia por Bryan Karl Lathrop

Evento da inauguração do mural. 28 de setembro de 2023. Fotografia por Bryan Karl Lathrop

Outra vista do mural (é tão extenso que é difícil registrar em uma só foto!). Fotografia por Bryan Karl Lathrop.

Outra vista do mural (é tão extenso que é difícil registrar em uma só foto!). Fotografia por Bryan Karl Lathrop.

Roberto Mamani Mamani e seus colaboradores. Fotografia por Bryan Karl Lathrop.

Roberto Mamani Mamani e seus colaboradores. Fotografia por Bryan Karl Lathrop.


  1. Muitos agradecimentos aos que contribuíram com ideias, língua, edição e imagens para esse ensaio, incluindo Américo Mendoza Mori, Arnold Arnez, Dayanna Salas, Bryan Karl Lathrop, Erin Blewett, Ann Farnsworth-Alvear, e Vivian Deidre Rodriguez-Rocha. Um agradecimento especial à Laura González Tinoco, historiadora de arte na Universidade de Barcelona, pela sua análise incisiva do mural. ↩︎

  2. Mural Arts Philadelphia. “Sobre nós.” Acesso em: 18 de Novembro de 2024. https://www.muralarts.org/about/ ↩︎

  3. Golden, Jane. Diretora Executiva, Mural Arts Philadelphia. Entrevista por Cathy Bartch, 30 de Maio de 2024. ↩︎

  4. Jane Golden mencionou que apenas 15% dos artistas do Mural Arts são nacionais ou internacionais, já que a organização se compromete a apoiar e comissionar o trabalho de artistas locais. Entretanto, ela compartilhou o quanto é igualmente importante trazer artistas internacionais. ↩︎

  5. Oliver Balch, “Buen Vivir: the social philosophy inspiring movements in South America,” The Guardian (London), 4 de fevereiro de 2013, https://www.theguardian.com/sustainable-business/blog/buen-vivir-philosophy-south-america-eduardo-gudynas. ↩︎

  6. PEW, “Philadelphia 2024: The State of the City,” acesso em: 17 de Novembro de 2024, https://www.pewtrusts.org/en/research-and-analysis/reports/2024/04/philadelphia-2024. ↩︎

  7. PEW, “Philadelphia 2024: The State of the City,” acesso em: 17 de novembro de 2024, https://www.pewtrusts.org/en/research-and-analysis/reports/2024/04/philadelphia-2024. ↩︎

  8. Laura González Tinoco “The value of the indigenous worldview in Mallkuanka. Colorful south-north flight” https://web.sas.upenn.edu/jallalla/2024/11/. Acecsso em 18 de novembro de 2024. ↩︎

  9. Gonzalez, “Indigenous worldview in Mallkuanka.” Ver também Víctor Hugo Cárdenas. “La lucha de un pueblo”, em Xavier Albó (Comp.) Raíces de América. El mundo aymara, p. 499-500. ↩︎

Citação

Bartch, Catherine, e Roberto 'Mamani Mamani'. 2023. 'MALLKUANKA – Vuelo Sur-Norte de Colores/O voo Sul-Norte das Cores: um mural por Roberto Mamani Mamani'. Despossessões nas Américas. https://dia.upenn.edu/pt/content/BartchC001/

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Roberto Mamani Mamani em frente ao seu mural MALLKUANKA – Vuelo Sur-Norte de Colores/ O voo Sul-Norte das Cores, na Avenida Washington, 2100, Filadélfia, PA, no lado leste do prédio do Philadelphia Animal Specialty and Emergency (PASE). Fotografia por Bryan Karl Lathrop.

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