Resumo
Com o foco na zona do altiplano que rodeia o lago Titicaca, o mapa representa os núcleos dos “Reales Pueblos de Indios” que o Estado colonial espanhol estabeleceu nesta zona mediante um programa massivo de reassentamento forçado.1 Antes da colonização espanhola, esta área fazia parte do Qullasuyu, o distrito meridional do Estado inca ou Tawantinsuyu, e era a zona onde se encontravam os núcleos de assentamentos das grandes e poderosas polis aymaras AS POLÍTICAS AIMARÁS DO QULLASUYU NO SÉCULO XVI . Sob o domínio colonial espanhol, o Qullasuyu se transformou no distrito sul do Vice-reinado do Peru chamado Distrito de la Audiencia de Charcas o La Plata dividido em duas grandes províncias, Charcas e La Paz. A zona do mapa fazia parte desta última, que, por sua vez, estava dividida em unidades administrativas territoriais de menor tamanho. As unidades territoriais - uma espécie de distritos rurais - alocadas à população indígena se chamavam Corregimientos de Indios (indicados no mapa com letras maiúsculas) e abrangiam uma série de “Reales Pueblos de Indios” também denominados reducciones representados pelos pontos no mapa em que cada estilo de ponto corresponde a um Corregimiento de Indios.
Os conquistadores espanhóis chegaram à região do Qullasuyu no final da década de 1530, mas só na década de 1570 a Coroa espanhola conseguiu implementar importantes transformações para institucionalizar a presença do Estado colonial espanhol na região, consolidar seu papel como agente dos interesses metropolitanos e revitalizar a produção de prata nas minas de Potosí. Estas transformações incluíram a imposição de uma nova organização político-administrativa do território do vice-reinado, a monetização del tributo indígena, a racionalização de um sistema de trabajo forzoso indígena, la mita, e um ambicioso programa de reassentamento forçado de casarios indígenas dispersos em povoados concentrados fixos onde a população indígena podia ser dominada, evangelizada e obrigada a tributar de maneira mais eficiente. Nos chamados “Reales Pueblos de Indios” ou “reducciones”, as autoridades étnicas deviam transformar-se em funcionários assalariados para o Estado, sendo responsáveis pelo recolhimento de tributos e por entregar mão de obra sob a estreita supervisão dos sacerdotes e de outros funcionários coloniais. Ao eliminar o que restava dos territórios étnicos pré-colombianos e despojar as pólis aimarás de seus direitos tradicionais sobre a terra, os funcionários coloniais espanhóis expulsaram os povoadores de suas antigas terras e, com frequência, os juntaram aos membros de outras pólis. Este processo provocou a desarticulação dos grandes estados macro-étnicos aimarás, sua fragmentação em pequenas “comunidades índias” e uma profunda reconfiguração das identidades e reivindicações étnicas. A memória de pertencer às grandes pólis aimarás se desvaneceu, e as comunidades reconstituídas dentro dos “Reales Pueblos de Indios” se tornaram a principal referência de identidade.
No caso deste mapa, as principais pólis aimarás afetadas por estas reconfigurações coloniais do espaço e pelos programas de reassentamento forçado “violentos y desintegradores” foram os dos Lupaqas, os Pakaxa (ou pacajes ou paka jaqi), e os qullas (ou collas).2 Hoje, a maior parte da população que vive nesta zona fala aimará (ou é bilíngue espanhol-aimará) e costuma identificar-se com a nação aimará.
REFERENCIAS:
Andrade Álvarez, Norby. “La Mita en los Andes Bolivianos de la Provincia Colonial de
Omasuyos en el Siglo XVII”. Estudios Latinoamericanos 1 (junho 2017): 28-33.
Choque, Roberto. Jesús de Machaca: La Marka Rebelde. vol 1. La Paz: CIPCA, 2003.
Morrone, Ariel. “El Lago de los Curas: Mediación Sociopolítica y
Cultural en los Corregimientos del Lago Titicaca (1570 - 1650)”.
Estudios Atacameños de Arqueología y Antropología Surandinas 55 (junho 2017) 183-202.
Wachtel, Nathan. El Regreso de los Antepasados: Los Indios Urus de Bolivia, del Siglo
XX al XVI: Ensayo de Historia Regresiva. México: El Colegio de México,
Fideicomiso Historia de las Américas, 2001.
Ariel Morrone, “El Lago de los Curas: Mediación Sociopolítica y Cultural en los Corregimientos del Lago Titicaca (1570 - 1650)”. Estudios Atacameños de Arqueología y Antropología Surandinas 55 (junho 2017), 183-202. ↩︎
Norby Andrade Álvarez, Norby. “La mita en los Andes bolivianos de la provincia colonial de Omasuyos en el siglo XVII. Estudios Latinoamericanos 1 (junho 2017), 30. ↩︎
Citação
Medeiros, Carmen, Celina Grisi, e Radek Sánchez Patzy. 2024. 'AS REDUCCIONES E CORREGIMIENTOS DE ÍNDIAS SOB O DOMÍNIO COLONIAL ESPANHOL NO FINAL DO SÉCULO XVII'. Despossessões nas Américas. https://dia.upenn.edu/pt/content/BOL0031Y/








