Resumo
Este mapa mostra as polis aymaras AS POLÍTICAS AIMARÁS DO QULLASUYU NO SÉCULO XVI dos Qullas, Lupaqas e Pakaxa (Collas, Lupacas e Pacajes) que habitavam uma área do Qullasuyu, o distrito sul do Estado inca ou Tawantinsuyu, nos séculos XV e XVI. O mapa foi feito com base num documento colonial de 1585 onde o autor, proprietário de uma mina em Potosí, enumera as unidades tributárias estabelecidas pelo estado colonial no contexto das grandes reformas efetuadas pelo vice-rei Toledo, na década de 1570.1 O mapa também mostra o camino inca principal CAMINHOS INCAS E TAMBOS NO SÉCULO XVI , com os centros administrativos de Ayaviri e Hatun Colla (território Qulla), Chucuito (território Lupaqa) e Caquiaviri (território Pakaxa).
As chamadas capitanias de mita**, unidades tributárias implementadas na segunda metade do século XVI, foram uma instituição colonial criada para organizar e administrar mais eficazmente el sistema rotativo de mano de obra (chamado mita) para as minas de prata de Potosí.**2 Estas unidades ajudavam a coordenar o recrutamento, transporte e supervisão dos trabalhadores indígenas. Em cada capitania, os trabalhadores indígenas, homens fisicamente aptos, entre 18 e 50 anos de idade, estavam sob o controle de um líder étnico, o “capitão da mita”, cuja área de autoridade e jurisdição correspondia aproximadamente à de um sistema político aimará “macro-étnico” pré-hispânico. 3
O sistema de la mita impunha cotas às diversas comunidades indígenas, exigindo-lhes que contribuíssem com um determinado número de trabalhadores durante períodos específicos. As capitanias de mita facilitavam o cumprimento destas cotas recrutando a mão de obra de sua jurisdição. Isso, com frequência, implicava coerção, já que os indígenas eram obrigados a abandonar suas famílias e trabalhar em árduas condições que, em última instância, alteravam os modos de vida tradicionais e, portanto, provocavam também importantes alterações demográficas.
Este mapa também incorpora, na esquina superior esquerda, um diagrama que apresenta a concepção dualista andina (pré-colonial e inclusive pré-incaica) do espaço, segundo a qual ele se compõe de duas partes opostas, embora complementares (superior e inferior) articuladas por um ponto médio (taypi). Assim, o altiplano - ou seja, a planície situada entre as cordilheiras ocidental e oriental dos Andes - se dividia em uma metade superior (urcu) e outra inferior (uma) com o lago Titicaca como ponto médio.4 Urcu tem conotações masculinas, dominantes e fálicas, enquanto que uma tem conotações femininas, de vale e umidade. De acordo a esta concepção, os territórios das pólis aimarás se organizaram em metades: a moiety superior e a moiety inferior.
Como é possível ver no mapa, os territórios dos Qullas e dos Pakaxa estavam divididos na metade superior (moiety urco) e na metade inferior (moiety uma). Os lupaqas só ocupavam a parte superior ou urco. Também cabe apontar que quando o Estado colonial espanhol estabeleceu as capitanias de mita, havia um número significativo de falantes de pukina integrados nestas unidades tributárias controladas por autoridades falantes de aimará. Parece ser que pukina era a língua falada na antiga civilização (pré-incaica) de Tiwanaku. O uso desta língua havia desaparecido para o final da colonização espanhola, no início do século XIX. Hoje, a maioria da população que habita esta zona do altiplano fala aimará, e a maioria é bilíngue espanhol-aimará.
REFERÊNCIAS:
Bakewell, Peter. Miners of the Red Mountain: Indian Labor in Potosí, 1545-1650. New Mexico: University of New Mexico Press, 1984.
Bouysse-Cassagne, Thérèse. “L’espace Aymara: Urco et Uma”. Annales. Histoire, Sciences Sociales 33, no. 5-6 (dezembro de 1978): 1057–80. https://doi.org/10.3406/ahess.1978.294000.
Domínguez Faura, Nicanor. “The Puquina Language in the Early Colonial Southern Andes (1548-1610): A Geographical Analysis.” Revista de Geografía Latinoamericana 13, nº 2 (2014): 181-206.
https://doi.org/10.1353/lag.2014.0033.
Nicanor Domínguez Faura, “La lengua puquina en los Andes meridionales coloniales tempranos (1548-1610): Un análisis geográfico”. Revista de Geografía Latinoamericana 13, no.2 (2014): 181-206. ↩︎
Peter Bakewell, Miners of the Red Mountain: Indian Labor in Potosí, 1545-1650. (Nuevo México: University of New Mexico Press, 1984) ↩︎
Domínguez Faura, “La lengua puquina en los Andes meridionales coloniales tempranos (1548-1610): Un análisis geográfico”, 181-206. ↩︎
Bouysse-Cassagne, “L’espace Aymara : Urco et Uma”. Annales. Histoire, Sciences Sociales 33, no. 5-6 (dezembro de 1978): 1057-80. ↩︎
Citação
Medeiros, Carmen, Celina Grisi, e Radek Sánchez Patzy. 2024. 'OS ESTADOS AIMARÁS AO REDOR DO LAGO TITICACA NOS SÉCULOS XV E XVI'. Despossessões nas Américas. https://dia.upenn.edu/pt/content/BOL0024Y/





